Rússia, aliada ou adversária da Otan

Da AFP

Em Ancara

BRUXELAS, 04 Jun 2014 (AFP) - A Rússia deve ser considerada nos próximos anos um adversário ou a crise ucraniana foi um episódio isolado? Esse é o debate atual na Otan, enquanto os países mais prudentes querem evitar uma "política de confrontação".

Para alguns países, a anexação da Crimeia pelo presidente russo, Vladimir Putin, em março, é uma prova de que o Kremlin voltou a recorrer aos métodos da Guerra Fria, ao redesenhar fronteias através da intimidação e da força.

Para outros, a crise na Ucrânia foi um ato isolado, já que o interesse da Rússia é evitar um confronto em larga escala para não atrapalhar suas relações, e para evitar um gasto militar excessivo.

Os chefes de Estado e de governo vão se reunir em setembro em Gales, na Grã-Bretanha, para uma cúpula dominada pelos acontecimentos na Ucrânia, que levaram a Aliança Atlântica, principalmente os Estados Unidos, a revisar suas opções militares, para garantir que os países europeus não sejam abandonados em um eventual conflito.

O secretário-geral do bloco, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que a "agressão ilegal" modificou drasticamente a doutrina de segurança na Europa, deixando-a mais imprevisível e perigosa.

Moscou aumentou seu orçamento de Defesa em 50% nos últimos cinco anos, contra 20% dos países ocidentais, ressaltou Rasmussen na terça-feira.

No mesmo dia, os ministros da Defesa dos países da Otan acertaram um programa que tem como objetivo reforçar a segurança dos países no Leste europeu e reduzir o tempo de reação da Aliança.

Autoridades do bloco expressaram sua preocupação, assim como sua surpresa, pela capacidade da Rússia em deslocar rapidamente 40.000 militares na fronteira da Ucrânia, e mantê-los durante certo período no local.

O temor é que, se uma reação não for implementada, será pago um preço maior no futuro.



Evitar o confronto

Por outro lado, países como França ou a Alemanha, creem que a prioridade é "não encurralar-se em uma lógica de confrontação".

"É preciso evitar as posturas que recordem a Guerra Fria, como, por exemplo, deslocar tanques próximos às fronteiras russas", ressaltou um diplomata, que pediu anonimato.

Países como a Polônia pedem bases permanentes da Otan em seu território, hipótese que não foi descartada pelo comandante das tropas aliadas na Europa, Philip Breedlove.

Os países mais prudentes "pedem à Otan que não vá muito rápido" sobre o tema, e que "proponha ajustes, e não uma revisão completa" das relações com Moscou, de acordo com outro diplomata.

Nesse contexto, sugeriu-se revisar um dos textos mais importantes do bloco para suas relações com a Rússia, a Ata Fundacional das relações e da cooperação entre as duas parte, assinada em 1997. O documento estabelece que os dois lados não são "adversários", e que trabalharão juntos para construir uma "paz duradoura".

A Ata formaliza as fronteiras acertadas depois da Guerra Fria, e determina que tanto o Ocidente como a Rússia não enviarão tropas às áreas que estiveram sob a influência da antiga União Soviética.

O embaixador russo na Otan, Alexander Grushko, advertiu que uma movimentação militar seria uma "infração direta" ao tratado.

Rasmussen, no entanto, garantiu que todas as medidas estudadas respeitam o texto.

Da mesma forma que outros ministros, a alemã Ursula von der Leyen de que essas medidas sejam as mais "flexíveis e multinacionais" possíveis.

Mais do que nunca, os países com mais peso na Europa querem evitar operações militares de alto custo, em particular no atual contexto de redução nos gastos militares.

Em Bruxelas, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, convocou novamente os europeus a assumir os custos de sua defesa. E citou como exemplo o plano de 1 bilhão de dólares anunciado na terça pelo presidente Barack Obama "para tranquilizar a Europa".

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