PUBLICIDADE
Topo

Talibãs anunciam suspensão das negociações com o governo afegão

NOORULLAH SHIRZADA/AFP
Imagem: NOORULLAH SHIRZADA/AFP

07/04/2020 06h19

Os talibãs anunciaram a suspensão das negociações, que chamaram de "estéreis", com o governo do Afeganistão a respeito de uma troca de prisioneiros que haviam começado há oito dias, as primeiras em 18 anos de conflito.

"Enviamos uma equipe técnica à Comissão de Prisioneiros de Cabul para identificar nossos detentos (...) Mas infelizmente sua liberação foi adiada por um motivo ou outro até agora", escreveu no Twitter Suhail Shaheen, um porta-voz talibã.

"Por isto, nossa equipe técnica não participará mais nestas reuniões estéreis a partir de terça-feira", completou.

As negociações são as primeiras em Cabul desde 2001, quando os talibãs foram expulsos do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

As duas partes negociam a troca de 5.000 prisioneiros talibãs por mil membros das forças afegãs, um dos principais pontos do acordo assinado em 29 de fevereiro em Doha entre Estados Unidos e os rebeldes, que não foi ratificado por Cabul.

No texto, Washington promete retirar as forças estrangeiras do Afeganistão em um período de 14 meses desde que os talibãs respeitem os compromissos de segurança e e comecem um diálogo entre afegãos.

Matin Bek, da equipe de negociação do governo, afirmou na segunda-feira que a troca de prisioneiros foi adiada porque os talibãs pediram a liberação de 15 comandantes do grupo.

"Não podemos liberar os assassinos do nosso povo. Não queremos que voltem ao campo de batalha e capturem uma província inteira", disse.

O governo estava disposto a libertar até 400 prisioneiros considerados pouco perigosos, um gesto de boa vontade e em troca de uma redução "considerável" da violência. Mas os talibãs rejeitaram a oferta, disse Bek.

No domingo, os talibãs acusaram Cabul de "violar" o acordo de Doha e de "irresponsabilidade". Porém, desde a assinatura do acordo, os insurgentes executaram centenas de ataques contra as forças de segurança afegãs e mataram vários soldados e policiais.

emh-wat/jf/cr/pc/zm/fp

Internacional