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Vitória de Biden manda Trump para restrito clube de presidentes derrotados

Donald Trump e Joe Biden disputaram a presidência nas eleições americanas - Reuters/EPA
Donald Trump e Joe Biden disputaram a presidência nas eleições americanas Imagem: Reuters/EPA

07/11/2020 15h08

Durante quatro anos, Donald Trump se gabou de ser um líder atípico, mas a vitória do democrata Joe Biden, anunciada neste sábado pela principal mídia americana, o faz ingressar no clube dos presidentes que não foram reeleitos.

Desde a Segunda Guerra Mundial, apenas dois inquilinos da Casa Branca não conseguiram convencer os americanos para um segundo mandato: Jimmy Carter e George H.W. Bush.

Trump buscou ansiosamente um segundo mandato. Em meio à pandemia de coronavírus que assola o país, ele fez uma campanha frenética por comícios em massa de um estado a outro e assinou os 150 milhões de cheques enviados aos americanos como parte do plano de ajuda econômica para enfrentar a crise de saúde.

"Há uma razão pela qual é incomum que presidentes em exercício sejam derrotados. Eles têm a habilidade de usar o púlpito em sua vantagem; eles podem mudar a narrativa", disse Matt Dallek, historiador político da Universidade George Washington.

"Eles têm todos os benefícios da Casa Branca: o poder do cargo, o Salão Oval, o avião do Força Aérea Um são símbolos poderosos à sua disposição", acrescentou.

Para Trump, o primeiro presidente a nunca ter ocupado um cargo eletivo ou uma posição de liderança militar antes, a posse e o selo presidencial que acompanha todas as suas aparições públicas ajudaram a normalizar um magnata mais conhecido pelos americanos como uma celebridade da televisão.

Trump é o primeiro presidente dos EUA a nunca conseguir 50% de aprovação nas pesquisas do Gallup. Ele obteve ampla oposição por sua forma de lidar com a pandemia, sua retórica incendiária e seus escândalos pessoais.

Vê-lo como presidente tornou-se menos incomum após quatro anos. Os presidentes dos Estados Unidos gozam de grande autonomia na diplomacia e Trump, como seus antecessores, não hesitou em aparecer diante das câmeras com líderes estrangeiros na Casa Branca, ainda em setembro, quando os Emirados Árabes Unidos e Bahrein concordaram em reconhecer Israel.

O apoio vital do partido

Segundo Dallek, todos os presidentes não reeleitos tiveram o mesmo problema: seu partido não estava unido a eles.

O democrata Jimmy Carter e o republicano George H.W. Bush enfrentaram desafios da esquerda e da direita de seus partidos, respectivamente, o que os enfraqueceu antes das eleições gerais.

Lyndon Johnson, sucessor do assassinado John F. Kennedy, não perdeu tecnicamente sua reeleição, mas optou por não concorrer a um segundo mandato completo em 1968 em meio a uma revolta da ala progressista do Partido Democrata contra a Guerra do Vietnã.

E Gerald Ford, que assumiu o cargo após a renúncia de Richard Nixon em 1974, enfrentou a competição do popular Ronald Reagan dois anos depois.

Trump, ao contrário, praticamente assumiu o Partido Republicano, cuja plataforma de 2020 apoiou seu programa.

"Aqueles que desafiaram Trump realmente tiveram que sair do Partido Republicano", disse Dallek.

Com a derrota eleitoral de Trump, mas dada a posição dominante em seu partido, já começaram as conversas sobre um feito ainda mais incomum: buscar a conquista de uma segunda presidência não consecutiva em 2024. Apenas um outro presidente na história americana conseguiu isso: o democrata Grover Cleveland, que foi eleito para o segundo mandato em 1892, quatro anos depois de perder por pouco.

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