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2 meses

Veja principais fatos dos 20 anos de intervenção dos EUA no Afeganistão

Talibã toma Cabul e volta ao poder no Afeganistão

16/08/2021 07h12Atualizada em 16/08/2021 08h31

Cabul, 16 Ago 2021 (AFP) - Os talibãs, expulsos do poder em 2001 por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, voltaram a controlar o Afeganistão após uma ofensiva executada em tempo recorde.

Veja a seguir os principais fatos que marcaram os 20 anos de intervenção dos Estados Unidos no Afeganistão.

'Liberdade duradoura'

O presidente George W. Bush inicia a operação "Liberdade Duradoura" em 7 de outubro de 2001, após os ataques de 11 de setembro que mataram quase 3.000 pessoas nos Estados Unidos.

O regime islamita talibã, que estava no poder desde 1996, dava refúgio ao iemenita Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda, e se negava a entregá-lo a Washington.

A coalizão internacional derrota os talibãs, que se rendem em 6 de dezembro. Washington instala um governo interino presidido por Hamid Karzai, que em outubro de 2004 venceu as primeiras eleições presidenciais por sufrágio universal direto da história do país.

A Otan mobiliza uma força militar no país ao lado das tropas americanas.

Guerra esquecida

A atenção americana muda do Afeganistão para a próxima aventura militar, a invasão do Iraque em 2003 para derrubar o ditador Saddam Hussein, acusado de ter armas de destruição em massa.

Os talibãs e outras facções islamistas se reagrupam no sul e leste do Afeganistão, de onde conseguem viajar para zonas tribais do Paquistão, e começam um movimento de insurgência.

O comando militar americano pede reforços em 2008. O presidente Bush aprova o envio de 48.500 soldados adicionais

Pico de 100 mil tropas

Em 2009, Barack Obama, eleito presidente com a promessa de acabar com as guerras no Iraque e Afeganistão, aumenta a mobilização de tropas.

O objetivo é sufocar a insurgência talibã e fortalecer as instituições afegãs. Em meados de 2011, mais de 150 mil soldados estrangeiros estavam no território afegão, incluindo 100 mil americanos.

Bin Laden morre em 2 de maio de 2011 em uma operação das forças especiais americanas no Paquistão.

Fim das operações de combate

Em junho de 2014 Ashraf Ghani é eleito presidente do Afeganistão em meio a acusações de fraude. A Otan anuncia em 31 de dezembro de 2014 o fim de sua missão de combate no Afeganistão.

Mas de acordo com pactos assinados meses antes, 12.500 soldados estrangeiros (9.800 americanos) permanecem no Afeganistão para treinar as tropas afegãs e efetuar operações antiterroristas pontuais.

A segurança no Afeganistão volta a piorar com a nova expansão da insurgência talibã e o surgimento do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no início de 2015.

Reforços americanos

Em 2017, o então presidente americano Donald Trump cancela o calendário de retirada de tropas e volta a enviar milhares de soldados.

Os ataques contra as forças afegãs aumentam e as tropas americanas respondem com a intensificação dos ataques aéreos.

Os soldados dos Estados Unidos utilizam sua bomba convencional mais potente para destruir uma rede de túneis e cavernas do Estado Islâmico no leste do país, matando 96 extremistas.

Novas eleições polêmicas

Em 18 de fevereiro de 2020, Ashraf Ghani foi declarado vencedor das eleições presidenciais de setembro de 2019, com 50,64% dos votos no primeiro turno, um pleito marcado por elevada abstenção e suspeita de fraude.

Seu principal rival, Abdullah Abdullah, também reivindica a vitória. Em maio, os dois homens assinam um acordo para a divisão do poder: Ghani conserva a presidência, Abdullah comanda as negociações de paz com os talibãs.

Acordo histórico

Os talibãs e o governo dos Estados Unidos assinam em 29 de fevereiro de 2020 um acordo histórico em Doha. O pacto prevê uma retirada completa das tropas estrangeiras até maio de 2021 e os talibãs se comprometem a negociar com o governo afegão e a reduzir os atos violentos.

Em 12 de setembro começam as primeiras negociações de paz diretas entre os insurgentes e Cabul, mas a violência prossegue e os atentados aumentam contra jornalistas, juízes, médicos e integrantes da sociedade civil.

Retirada das tropas

Em 1º de maio começa de maneira oficial a saída dos últimos 2.500 soldados americanos e 7.000 da Otan.

Os combates explodem entre talibãs e o exército afegão no sul. Na região norte, os insurgentes conquistam o distrito de Burka, província de Baghlan.

Em meados de maio, as tropas americanas se retiram da base área de Kandahar. Em 2 de julho, as tropas da Otan e dos Estados Unidos deixam a base aérea de Bagram, a maior do Afeganistão.

Em 8 de julho, o presidente Joe Biden anuncia que a retirada das tropas será concluída em 31 de agosto.

O avanço

Em 6 de agosto, os talibãs conquistam sua primeira capital provincial, Zaranj (sudoeste), e no dia 8, Kunduz, a grande cidade do norte do país.

Em 12 de agosto, Washington e Londres anunciam o envio de milhares de soldados a Cabul para retirar seus cidadãos.

Um dia depois, os talibãs assumem o controle de Pul-i-Alam (capital da província de Logar), a apenas 50 km ao sul de Cabul, depois da conquista de Lashkar Gah (Helmand) e Kandahar, a segunda maior cidade do país.

No dia 14, os insurgentes controlam Mazar-i-Sharif, a última cidade importante do norte que ainda estava sob controle do governo.

A queda de Cabul

Em 15 de agosto, os talibãs assumem o controle de Cabul e entram sem violência no palácio presidencial após a fuga do presidente Ghani.

A queda de Cabul provoca pânico na capital. Milhares de pessoas correm para o aeroporto, com a esperança de fugir, enquanto os países ocidentais organizam a retirada de seus cidadãos e de pessoas sob sua proteção.

Em 16 de agosto, durante a madrugada, funcionários retiraram a bandeira dos Estados Unidos de sua embaixada em Cabul.

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