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Na Venezuela, Guaidó desafia Maduro a enfrentá-lo em eleições presidenciais

Perguntado sobre possível candidatura, Guaidó disse que oposição deverá lançar "candidato unitário" - Federico Parra / AFP
Perguntado sobre possível candidatura, Guaidó disse que oposição deverá lançar 'candidato unitário' Imagem: Federico Parra / AFP

Em Caracas (Venezuela)

26/08/2021 14h08Atualizada em 26/08/2021 14h28

Juan Guaidó não tem dúvida de que a oposição que lidera na Venezuela venceria em uma eventual eleição contra o presidente Nicolás Maduro. Até lá, conduz seus esforços no processo de negociação no México para enfrentar o oponente político o quanto antes.

Guaidó, de 38 anos, é reconhecido como presidente encarregado da Venezuela por 50 países, incluindo os Estados Unidos. Este grupo não reconhece a reeleição de Maduro em 2018, alegando que houve fraude.

"Digo isso desde o primeiro dia. Se Maduro, ou qualquer outro, tem medo de se comparar comigo, não tenho nenhum problema com isso", afirma.

"Desafio que ele abandone (o poder) e eu abandone (o chamado governo interino), e que nos enfrentemos", disse Guaidó em uma entrevista à AFP em seu apartamento em Caracas.

"A origem do conflito é a não-eleição de 2018, o conflito é uma usurpação no Executivo. Um cronograma de eleições que transforme uma eleição em uma real solução para o conflito é parte do processo", reflete.

Seu maior esforço se concentra em antecipar a eleição presidencial, prevista para 2024, como parte da mesa de diálogo iniciada há duas semanas no México, com mediação da Noruega.

Nas tratativas, Guaidó usa como moeda de troca o levantamento progressivo da chuva de sanções internacionais que pressionaram o governo de Maduro a negociar.

Indago se deve ser candidato, responde: "Vamos ter um candidato unitário, um processo de unidade".

A antecipação da eleição presidencial já foi descartada pelo chavismo. A oposição conta, então, com a possibilidade de pedir um referendo revogatório no ano que vem, quando chegar à metade do mandato do presidente Maduro.

Guaidó confia que, em "uma eleição com confiança e um mínimo de credibilidade, a alternativa democrática venceria por 80% a 20%, por 70% a 30%".

"Não tenho dúvida", insiste, minimizando as pesquisas que ilustram uma popularidade decadente.

'Sem condições'

Guaidó é cético, porém, quanto à participação das eleições previstas para este ano, de prefeitos e governadores.

Contando agora com dois reitores da oposição, elas serão organizadas por um novo CNE (Conselho Nacional Eleitoral), designado no âmbito de um processo de negociação interna prévio aos diálogos no México.

"Não há condições para chamar o evento de 21 (de novembro) de eleição. Por isso, estamos discutindo (no México) garantias e condições políticas, eleitorais", afirma, classificando o CNE atual de "tutelado".

Ao contrário das eleições anteriores, porém, ele evita convocar a abstenção nas urnas. "Será uma mistura, buscando a maior mobilização, organização e unidade possível", diz, sem apresentar uma postura clara.

Indagado se deve votar, disse: "Ainda não me decidi".

As eleições regionais de novembro expuseram as rupturas na oposição, com muitos líderes já começando a fazer campanha contra a feroz máquina do chavismo, e seus candidatos, já definidos. O prazo para inscrever candidaturas vence no próximo domingo (29).

Sobre as relações com os Estados Unidos, Guaidó diz ter um contato "constante" com o governo de Joe Biden. Embora tenha mantido o apoio de seu antecessor Donald Trump, o democrata não compartilha a estratégia do "tudo ou nada".

Na semana passada, Maduro pediu um "diálogo direto" com Washington que inclua o retorno de encarregados de negócios às embaixadas de ambos os países.

Para Guaidó, é um "grito desesperado por algum tipo de reconhecimento", cuja "solução" é uma eleição "livre e justa". "Se o governo, ou Maduro, querem algum tipo de reconhecimento ou de legitimidade, tem que ganhar isso com votos", defende.

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