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Suspeita de espionagem russa marca campanha eleitoral na Alemanha

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, será substituída após 26 anos no governo - Fabrizio Bensch/POOL/AFP
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, será substituída após 26 anos no governo Imagem: Fabrizio Bensch/POOL/AFP

09/09/2021 18h09

O fantasma da espionagem cibernética paira sobre a campanha para as eleições legislativas do próximo dia 26 na Alemanha, depois que a Justiça do país abriu uma investigação por espionagem de deputados, supostamente promovida pelo serviço secreto russo.

"Posso confirmar que abrimos uma investigação por suspeita de atividade de inteligência estrangeira", disse um porta-voz da Promotoria à AFP, respondendo a uma pergunta sobre as acusações feitas no começo da semana pelo governo alemão contra os serviços de inteligência russos por ataques de "phishing" contra deputados alemães.

Naquela ocasião, uma porta-voz da chancelaria criticou duramente uma suposta tentativa da Rússia de influenciar as eleições legislativas de 26 de setembro, nas quais será eleita o sucessor de Angela Merkel, após 26 anos à frente do governo.

As autoridades alemãs acusaram o serviço de inteligência GRU (russo), que criticou por ataques contra o partido de Merkel, o conservador CDU, e o SPD (centro-esquerda). Embora façam parte do atual governo de "grande coalizão", ambos os partidos disputarão a vitória em eleições apertadas, nas quais pesquisas preveem que os social-democratas contam com alguns pontos de vantagem sobre os conservadores.

'Campanha de desinformação'

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Andrea Sasse, pediu nesta segunda-feira que os ataques "parem imediatamente". Segundo ela, os mesmos poderiam servir "para preparar uma operação com o objetivo de influenciar" as eleições com uma campanha de desinformação, por exemplo.

A União Europeia e os Estados Unidos acusaram a Rússia em várias ocasiões de tentar influenciar numerosas disputas eleitorais em países ocidentais, mas o Kremlin sempre negou envolvimento.

Segundo a revista "Der Spiegel", que revelou o caso em março, os hackers da "operação Ghost Writer", promovida pelo GRU, tentaram acessar e-mails privados de parlamentares nacionais e regionais. Eles imitaram o e-mail de pessoas em quem os deputados confiavam para criar uma armadilha e obter acesso ilimitado às suas caixas de correio. Em alguns casos, tiveram sucesso.

Acusação comum

Casos de espionagem atribuídos ao Kremlin são comuns na Alemanha há anos. Autoridades alemãs já haviam acusado a Rússia de estar por trás de uma ampla operação de pirataria dirigida contra computadores do Parlamento alemão e a equipe de Merkel.

O que prejudicou ainda mais a relação entre Berlim e Moscou foi a tentativa de envenenamento do opositor russo Alexei Navalny em agosto de 2020, atribuída ao governo russo pelos ocidentais.

Um dos principais projetos entre Berlim e Moscou é o gasoduto Nord Stream, que ligaria os dois países e ao qual os Estados Unidos se opuseram ferozmente.

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