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Começa julgamento de policial que matou jovem negro nos EUA após confundir arma com 'taser'

A ex-policial Kim Potter, que foi acusada de assassinar o jovem manifestante negro Daunte Wright - Hennepin County Sheriff"s Office
A ex-policial Kim Potter, que foi acusada de assassinar o jovem manifestante negro Daunte Wright Imagem: Hennepin County Sheriff's Office

08/12/2021 19h15

Minneapolis, Estados Unidos, 8 dez 2021 (AFP) - Um simples erro ou uma grave negligência? Uma policial enfrenta um processo judicial por ter disparado com sua arma de serviço ao invés de usar um 'taser' elétrico contra um jovem afro-americano, causando sua morte.

O julgamento começou nesta quarta-feira (8) na cidade de Minneapolis, no nordeste dos Estados Unidos, onde o caso reabriu as feridas ainda não cicatrizadas pelo assassinato do também negro George Floyd.

A mulher, uma policial branca e experiente, foi identificada como Kim Potter, de 49 anos. Em 11 de abril de 2021, Potter disparou sua arma contra Daunte Wright, de 20 anos, no subúrbio de Brooklyn Center.

O caso provocou grande impacto pois ocorreu durante as audiências do julgamento do policial branco Derek Chauvin, que, em maio de 2020, também em Minneapolis, asfixiou George Floyd, de 46 anos, um homicídio que deu início a uma onda de protestos e manifestações antirracistas em todo o mundo.

Quase um ano depois, a morte de Daunte Wright reviveu as tensões nas ruas de Minneapolis, onde ocorreram manifestações violentas por vários dias.

A prisão de Kim Potter trouxe um pouco de calma, mas a cidade permaneceu em suspense, até a condenação de 22 anos de prisão contra Derek Chauvin.

O caso Goerge Floyd paira sobre o julgamento da policial, pois este se desenvolve no mesmo tribunal, com os mesmos promotores e com alguns dos advogados do processo contra Chauvin.

Depois de dez dias de seleção do júri, no qual há apenas um afro-americano, as audiências começaram com as apresentações gerais da acusação e da defesa.

Os fatos, no entanto, são incontestáveis: Kim Potter e dois de seus colegas deram uma ordem de parada ao veículo de Daunte Wright durante um controle de trânsito, mas, ao perceberem que o jovem era requerido pela Justiça por porte de armas, Potter e seus colegas o interpelaram.

O jovem, que não estava armado, tentou fugir e, para dissuadi-lo, Potter sacou o que pensava ser o 'taser'. Em uma gravação do incidente, é possível ouvi-la gritar 'taser' várias vezes, antes de disparar.

"Ela não está sendo processada por homicídio involuntário", assinalou a promotora Erin Eldridge, mas tampouco se trata de "um erro desafortunado". O expediente contra Potter é por "manipulação imprudente de uma arma de serviço e sobre negligência", dado que é uma policial com 26 anos de experiência, explicou Eldridge.

Kim Potter "fez o que deveria ter feito para proteger seu colega", ao considerar o risco de ele ser atropelado pelo veículo de Daunte Wright, alegou seu advogado Paul Engh. Em um momento de estresse "ela cometeu um erro, foi um acidente, ela é humana", acrescentou o defensor.

A policial deve ser chamada para prestar depoimento em alguns dias e o veredicto é esperado antes do fim do ano.

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