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Reservistas da Finlândia se preparam para ameaça russa após país tentar aderir à Otan

09.mar.2022 - Reservistas da Brigada Karelia atiram durante o exercício de defesa local em Carélia do Sul, em Taipalsaari, na Finlândia. - Lehtikuva/Lauri Heino via REUTERS
09.mar.2022 - Reservistas da Brigada Karelia atiram durante o exercício de defesa local em Carélia do Sul, em Taipalsaari, na Finlândia. Imagem: Lehtikuva/Lauri Heino via REUTERS

Da AFP

17/05/2022 15h05Atualizada em 17/05/2022 16h17

Finlandeses de todas as classes sociais passaram o fim de semana em treinamento na ilha militar de Santahamina, próxima à costa de Helsinque. São voluntários que se mobilizam para proteger-se da Rússia enquanto o país tenta entrar para a Otan.

O Exército finlandês tem apenas 13 mil oficiais, mas o país de 5,5 milhões de habitantes dispõe do impressionante número de 900 mil reservistas e capacidade para 280 mil soldados em tempos de guerra.

Para muitos que participaram do treinamento, a invasão russa da Ucrânia foi um alerta. "Foi o último sinal de que é preciso estar pronto na vida. Se algo acontecer, devemos estar equipados para enfrentar a crise", disse à AFP Ville Mukka, um engenheiro de 30 anos.

As inscrições nos programas de defesa voluntária dispararam na primeira semana da guerra na Ucrânia. "A procura foi cerca de dez vezes maior", explicou Ossi Hietala, representante da MPK, Associação Finlandesa de Treinamento para a Defesa Nacional.

Acostumada a receber 600 voluntários por semana, a MPK passou a inscrever 6.000, o que levou o governo finlandês a pagar três milhões de euros adicionais.

Independente desde 1917 e invadida pela União Soviética em 1939, a Finlândia esteve em guerra com seu poderoso vizinho durante grande parte da Segunda Guerra Mundial e chegou a se aliar à Alemanha nazista.

O conflito provocou a perda de grande parte de seu território e foi seguido por décadas de neutralidade forçada da Finlândia que ficou sob a vigilância de Moscou durante a Guerra Fria.

"Não há necessidade de ir muito longe na história para encontrar pontos de convergência" com a guerra na Ucrânia, "isso é o mais preocupante", indicou Tomas Vare, um participante de 43 anos.

A Finlândia anunciou no domingo sua candidatura "histórica" à Otan, seguida pela Suécia na segunda-feira, uma consequência direta da invasão russa à Ucrânia que põe fim a décadas de neutralidade militar.

Moscou criticou o projeto de adesão dos países nórdicos e ameaçou com uma "reposta".

Franco-atiradores

Os treinamentos da MPK incluem desde um nível básico de leitura de mapas e acampamentos em florestas, até a preparação de franco-atiradores e o uso de armas antitanque.

"Quem vem são finlandeses comuns. Pessoas que querem desenvolver habilidades e aprender coisas novas", afirmou Hietala. Muitos também são reservistas que buscam reciclar suas competências.

Ao contrário da maioria dos países europeus, a Finlândia confia sua defesa ao serviço militar obrigatório. Todos os homens de 18 a 60 anos estão sujeitos ao recrutamento, já as mulheres participam de forma voluntária.

A cada ano, mais de 20 mil jovens são convocados para o serviço que dura de seis meses a mais de um ano. Depois disso, eles passam para a Reserva.

"Os reservistas são 96% das forças em tempos de guerra e são uma parte importante da defesa militar finlandesa", explicou Hietala.

"Grande parte da população adulta já recebeu treinamento militar em algum momento de sua vida", concluiu.

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