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A erupção de vulcão que foi 'maior explosão' já registrada por equipamentos na Terra

Erupção de vulcão criou "maior explosão" já registrada na Terra - EPA
Erupção de vulcão criou "maior explosão" já registrada na Terra Imagem: EPA

Jonathan Amos - Correspondente de ciência da BBC

17/05/2022 09h58Atualizada em 17/05/2022 09h58

A erupção de um vulcão em Tonga em janeiro de 2022 foi confirmada como a maior explosão já registrada na atmosfera por equipamentos modernos.

Foi muito maior do que qualquer evento vulcânico do século 20, ou até mesmo do que qualquer teste de bomba atômica realizado após a Segunda Guerra Mundial.

A avaliação foi apresentada em dois artigos acadêmicos, publicados na revista Science, que revisaram todos os dados.

Na história recente, é provável que apenas a erupção do vulcão Krakatoa, em 1883, possa rivalizar com a perturbação atmosférica produzida. Acredita-se que este evento catastrófico na Indonésia tenha provocado a morte de mais de 30 mil pessoas.

Felizmente, a erupção de 15 de janeiro deste ano do vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha'apai (HTHH), localizado no Pacífico Sul, resultou em pouquíssimas mortes, embora também tenha produzido grandes tsunamis.

"Tonga foi um evento verdadeiramente global, assim como o Krakatoa, mas agora temos todos esses sistemas de observação geofísica, e eles registraram algo realmente sem precedentes nos dados modernos", explica à BBC News Robin Matoza, da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, nos EUA, que é o autor principal de um dos artigos.

Os cientistas agora têm acesso a uma extraordinária variedade de instrumentos terrestres e espaciais, incluindo sensores de pressão atmosférica, sismógrafos, hidrofones e uma frota de satélites que monitoram a Terra em todo o espectro de luz.

A explosão colossal em Tonga, que aconteceu ao final de várias semanas de atividade no monte submarino, produziu vários tipos de ondas de pressão atmosférica que se propagaram por vastas distâncias.

Na faixa de frequência audível, pessoas a 10.000 km de distância, no Alasca, relataram ouvir estrondos repetidos.

A rede global de detectores criada para monitorar o cumprimento do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares captou o sinal de infrassom.

O infrassom tem frequências que estão logo abaixo do que os seres humanos são capazes de ouvir.

Os dados da rede indicaram que a explosão do vulcão de Tonga produziu uma onda de pressão atmosférica comparável à da maior explosão nuclear de todos os tempos ? a Czar Bomba, detonada pelos soviéticos em 1961 ?, mas durou quatro vezes mais.

Os artigos discutem em profundidade as perturbações causadas pelas chamadas ondas de Lamb, que receberam este nome em homenagem ao matemático do início do século 20 Horace Lamb.

São ondas energéticas no ar que se propagam na velocidade do som, ao longo de um percurso guiado pela superfície do planeta. Também são não dispersivas, ou seja, mantêm sua forma à medida que se movem e, portanto, são visíveis por um longo tempo.

Os pulsos de onda Lamb produzidos pela erupção de Tonga foram vistos circulando a Terra pelo menos quatro vezes.

No Reino Unido, que fica a cerca de 16.500 km de Tonga, estes pulsos começaram a chegar na noite do dia 15, cerca de 14 horas após a erupção do outro lado do planeta.

Eles levantaram as nuvens sobre o Reino Unido.

"Na hora, tínhamos um ceilômetro a laser (dispositivo usado para determinar a altura das nuvens) olhando para a base da nuvem e, à medida que a onda passava pela nuvem, era perturbada", lembra Giles Harrison, físico atmosférico da Universidade de Reading, no Reino Unido, e coautor de um dos artigos.

"Se alguma vez você quis uma prova de que a atmosfera é algo notavelmente interconectado, está aqui. E o que acontece em um lado do planeta pode se propagar para o outro lado na velocidade do som."

Onde as ondas de Lamb se juntaram às ondas do oceano, elas foram capazes de gerar tsunamis ? não apenas no Oceano Pacífico, mas também no Oceano Atlântico e no Mar Mediterrâneo.

Os cientistas ainda estão investigando a geração de tsunamis próximos que atingiram as costas do arquipélago de Tonga.

Alguns foram, sem dúvida, criados por ondas de pressão do vulcão empurrando a superfície da água, mas as investigações estão em andamento para determinar se o colapso de parte do vulcão também contribuiu de maneira significativa.

Isso vai ficar evidente nos projetos de mapeamento do fundo do mar, cujos resultados estão previstos para serem divulgados nas próximas semanas.

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