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Irã rebate acusações dos EUA sobre ataques na Arábia Saudita: 'Completamente infundadas'

14.set.2019 - Fumaça é vista após fogo em instalação na cidade de Abqaiq, na Arábia Saudita - Stringer/Reuters
14.set.2019 - Fumaça é vista após fogo em instalação na cidade de Abqaiq, na Arábia Saudita Imagem: Stringer/Reuters

Em Teerã

16/09/2019 08h42

O Ministério das Relações Exteriores do Irã voltou hoje a negar as acusações dos Estados Unidos sobre seu envolvimento nos recentes ataques na Arábia Saudita, assim como um possível encontro com o presidente americano Donald Trump.

"Essas acusações são inaceitáveis e completamente infundadas", disse o porta-voz do ministério, Abbas Musavi, em entrevista coletiva sobre os ataques com drones ocorridos no último sábado a duas refinarias da companhia petrolífera saudita Aramco.

"A coalizão liderada pela Arábia Saudita, apoiada pelos países ocidentais, cometeu extensos crimes de guerra no Iêmen e é natural que o povo e o Exército iemenitas respondam para parar esses crimes", justificou.

A ofensiva foi reivindicada pelos rebeldes houthis iemenitas, apoiados pelo Irã, mas o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, responsabilizou diretamente Teerã e disse não haver "evidências" para sugerir que os ataques vieram do Iêmen.

O presidente Trump disse ontem que seu país está "carregado e pronto" para responder ao ataque e que, embora acredita saber quem é o "culpado", está aguardando a resposta de Riad para saber como proceder.

Além disso, segundo a mídia dos EUA, a Inteligência americana tem evidências de que o Irã lançou quase uma dúzia de mísseis de cruzeiro e mais de 20 drones de seu território.

Musavi reconheceu que "o Irã anunciou claramente seu apoio ao povo iemenita", em alusão aos rebeldes houthis, mas enfatizou que "atribuir esses ataques ao Irã está na linha das máximas mentiras".

"A guerra é entre iemenitas e sauditas e não tem nada a ver com a República Islâmica", disse, apesar do apoio aos houthis que, segundo Teerã, são apenas políticos, enquanto Riad e Washington denunciam que o Irã financia e arma os insurgentes.

O porta-voz também considerou "tolices" as declarações do senador republicano Lindsey Graham, onde ele defende que Washington bombardeie refinarias iranianas, em resposta ao ataque contra a Arábia Saudita.

Esse tipo de represália parece impossível, pois no mês de julho, Trump descartou atacar o Irã em resposta à demolição de um drone americano no Estreito de Ormuz.

A tensão entre Teerã e Washington aumentou desde a retirada dos EUA, no ano passado, do acordo nuclear de 2015 e sua reimposição de sanções contra o Irã, mas Trump assegura que está aberto ao diálogo.

Ontem, Trump voltou a considerar a possibilidade de uma reunião com o presidente iraniano, Hassan Rohani, uma reunião que poderia acontecer no final deste mês, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Porém, o porta-voz da chancelaria iraniana rejeitou hoje essa opção, como outras autoridades iranianas fizeram repetidamente, pelo menos até que os EUA levantem suas sanções.

"Não confirmo essa reunião. Essa reunião não está na nossa agenda, e acho que não será em Nova York", assegurou Musavi.

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