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Macri lança livro sobre período no poder e prevê 'segundo tempo' na política

Macri previu um triunfo, nas eleições presidenciais de 2023, da frente Mudemos, com a qual ele chegou ao governo em 2015 -
Macri previu um triunfo, nas eleições presidenciais de 2023, da frente Mudemos, com a qual ele chegou ao governo em 2015

19/03/2021 16h31Atualizada em 19/03/2021 16h31

Buenos Aires, 18 mar (EFE).- O ex-presidente argentino Mauricio Macri lançou nesta quinta-feira, em Buenos Aires, seu livro "Primer Tiempo" ("Primeiro Tempo", em tradução livre), no qual analisa seu período à frente do governo e deixa claro que pretende ter um "segundo tempo" no poder, embora sem esclarecer se voltará a disputar a presidência em 2023.

Para Macri, os quatro anos em que foi presidente tiveram aspectos "fundacionais", como o "respeito" pela convivência e a inserção internacional da Argentina.

"O primeiro tempo, como um título, reflete minha essência futebolística. E sabia, claramente, que seria provocativo. Mas também estabelece que vai haver um segundo tempo. A transformação começou e vai continuar", disse Macri, que já presidiu o Boca Juniors e atualmente é presidente executivo da Fundação Fifa.

O ex-mandatário argentino ressaltou que, de fato, a "segunda vez" começou neste ano, quando haverá eleições legislativas na Argentina, alegando que "começou a peregrinação de recomposição" do país.

"O segundo tempo começou: vamos ao campo!" declarou Macri, que vem de derrota no campo político nas eleições de 2019 para o atual presidente Alberto Fernández.

Comentaristas ilustres

Macri apresentou seu livro de pé, caminhando em um palco em um evento realizado no bairro Recoleta e que contou com público do lado de fora, acompanhando suas falas por um telão.

Depois, o empresário e político se sentou em uma poltrona para conversar com Pablo Avelluto, ministro da Cultura durante seu governo. O diálogo foi introduzido com uma gravação de vídeo do escritor peruano Mario Vargas Llosa, que refletiu sobre as "memórias" do ex-presidente argentino.

"Tenho uma impressão magnífica do que li", disse o Prêmio Nobel de Literatura de 2010.

Também participaram do evento com mensagens gravadas o diretor de cinema argentino Juan José Campanella, o ex-presidente uruguaio Julio María Sanguinetti - que descreveu o livro como "honesto" e "fácil de ler" -, o filósofo e escritor espanhol Fernando Savater, que elogiou a obra como um meio de entender como funciona a vida política, e a jornalista e política espanhola Pilar Rahola, que descreveu Macri como um "super-herói" e um "sonhador".

Pensando em 2023

Macri previu um triunfo, nas eleições presidenciais de 2023, da frente Mudemos, com a qual ele chegou ao governo em 2015.

Ele disse que a coligação voltará ao poder com "maior apoio político" do que em 2015 e uma "experiência adquirida" que lhe permitirá concretizar o pacote de reformas que ele não pôde realizar durante sua gestão.

Sem esclarecer se em 2023 ele será o candidato presidencial do Mudemos, Macri, de 62 anos, questionou o "populismo" do atual governo, as políticas de "isolamento" econômico e a "aversão ao risco" de muitos políticos que impedem o país de chegar a acordos e alcançar mudanças substanciais.

"Infelizmente, este novo ciclo kirchnerista voltou com mais determinação para tentar alterar as regras do jogo. Penso que hoje todos nós entendemos que estamos discutindo em que tipo de democracia vamos viver", afirmou.

Lançamento polêmico

"Primer tiempo" chegou às livrarias na Argentina na quarta-feira, mas o lançamento foi cercado de controvérsia devido à recusa de algumas lojas em vendê-lo, alegando diferenças ideológicas em relação ao autor.

O chefe de pessoal do atual governo, Santiago Cafiero, se referiu ironicamente ao livro há alguns dias em um programa de televisão.

Macri disse no último domingo que "apesar dos episódios isolados de intolerância e fanatismo", ele agradeceu "o compromisso com a liberdade de expressão e o debate da grande maioria dos livreiros argentinos".

Nesta quinta-feira, em sua apresentação, ele também destacou a "publicidade" que o kirchnerismo lhe dá.

"Talvez eu deva dizer que este é meu primeiro livro, porque estou pensando em uma saga de intervalo, segundo tempo, disputa de pênaltis, prorrogação... Como o kirchnerismo me dá tanta publicidade aos livros, vou ter que me dedicar um pouco mais a esta área", disse, em tom irônico.

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