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Secom usa redes para celebrar encontro de Bolsonaro com agente da ditadura

5.mai.2020 - Secom usa redes para celebrar encontro do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com agente da ditadura - Reprodução/Instagram
5.mai.2020 - Secom usa redes para celebrar encontro do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com agente da ditadura Imagem: Reprodução/Instagram

Lisandra Paraguassu

Em Brasília

05/05/2020 21h53Atualizada em 05/05/2020 22h08

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência publicou em suas redes sociais uma foto em que celebra a audiência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, 85 anos —um dos principais nomes da repressão durante a ditadura militar, em particular em relação à guerrilha do Araguaia— e o chama de "herói de guerra".

Com o título "Heróis do Brasil", a publicação, feita no Twitter e no Instagram, traz uma foto de Bolsonaro rindo com Curió e é acompanhada do texto: "Presidente recebe tenente-coronel que combateu a guerrilha comunista no Araguaia", acrescentando que a "dedicação" de Curió ajudou "a livrar o País de um dos maiores flagelos da história da humanidade".

Curió foi relacionado pela Comissão da Verdade como um dos 377 agentes de Estado que cometerem crimes contra os direitos humanos durante a ditadura. O ex-militar foi denunciado pelo Ministério Público em seis denúncias, em crimes como sequestro, assassinato e ocultação de cadáver.

De acordo com o MP, os crimes de Curió seriam de "lesa-humanidade" e estariam fora do alcance da Lei de Anistia de 1979.

Em 2009, em entrevista ao jornalista Leonêncio Nossa, Curió apresentou seus arquivos sobre a Guerrilha do Araguaia. Ali estavam as evidências da que 41 dos 67 guerrilheiros do Araguaia foram presos, amarrados e executados quando não mais ofereciam risco às tropas que os perseguiam.

Até aquele momento, 25 casos haviam sido reconhecidos e documentados. Curió apresentou os registros de mais 16.

Na década de 1980, Curió foi mandado para Serra Pelada para organizar a exploração do garimpo e, por serviços prestados, recebeu terras na região. Ajudou a fundar uma cidade que leva seu nome, Curionópolis, onde foi prefeito e, mesmo fora da administração, comandou com mão de ferro até a década de 1990.

O encontro entre Bolsonaro e Curió aconteceu pela manhã, mas quase 12 horas depois ainda não constava na agenda do presidente. Foi revelado pelo jornalista Rubens Valente, em sua coluna no UOL.

Depois de insistentes reclamações, o Planalto colocou, às 21h22, o encontro na agenda.

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