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França anuncia demissão e suspensão de profissionais da saúde que não se vacinaram

O ministro afirmou que as suspensões são "temporárias" e afetam principalmente pessoas que trabalham nos setores administrativos - Christophe Archambault/AFP
O ministro afirmou que as suspensões são "temporárias" e afetam principalmente pessoas que trabalham nos setores administrativos Imagem: Christophe Archambault/AFP

16/09/2021 08h13

Segundo o ministro da Saúde francês, Olivier Véran, após a entrada em vigor da obrigatoriedade da vacinação para a categoria ontem, anunciada há dois meses pelo governo, cerca de 3 mil suspensões e dezenas de demissões foram confirmadas hoje.

De acordo com Véran, as suspensões envolvem principalmente profissionais que trabalham fora dos hospitais, como casas de repouso para idosos ou estabelecimentos para deficientes físicos. O número corresponde a um total de 2,7 milhões de assalariados, acrescentou, em entrevista à rádio francesa RTL. O atendimento dos pacientes não foi afetado.

O ministro afirmou que as suspensões são "temporárias" e afetam principalmente pessoas que trabalham nos setores administrativos. Ele afirma que há poucos médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e outras profissões da saúde que recusaram a vacinação, que é obrigatória também para profissionais liberais, bombeiros, e motoristas de ambulância. Muitos preferiram, entretanto, perder o trabalho e abdicar das injeções.

De acordo com dados da Santé Publique France, agência francesa de vigilância sanitária, até o dia 12 de setembro 89,3% dos profissionais que trabalham em instituições para pessoas idosas dependentes tinham recebido pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19. Os trabalhadores da categoria que se recusam a receber o imunizante não poderão mais exercer sua atividade, segundo a lei votada pelo Parlamento francês em 5 de agosto.

O organismo que representa os diretores das casas de repouso para idosos na França, e o sindicato dos cuidadores a domicílio, pediu nesta quarta-feira, em um comunicado, que o governo seja "pragmático" e apresente soluções para as suspensões, que podem "comprometer a segurança dos pacientes mais velhos." A estimativa é que entre 1 e 2% dos contratos sejam cancelados nos próximos dias, segundo Florence Arnaiz-Maumé, secretária-geral do Synerpa, que representa as instituições privadas para idosos.

Responsabilidade coletiva

O porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, elogiou, na saída do Conselho de Ministros de hoje, "a imensa maioria dos profissionais que optou pela responsabilidade e a proteção coletiva." Para o presidente da Federação Francesa dos Hospitais, Frédéric Valletoux, "alguns profissionais da saúde vão instrumentalizar casos particulares para fazer a opinião pública acreditar que eles são muitos", disse. Valletoux afirma que, de cerca de 1 milhão de agentes, há "algumas centenas, ou talvez milhares", que recusam a vacinação.

Em Montélimar, no sul do do país, a medida do governo já afeta o hospital público da região, que precisou cancelar cirurgias não-urgentes por conta da ausência de três anestesistas. De acordo com o diretor-adjunto do estabelecimento, Philippe Charre, outros três alergologistas não foram trabalhar, por se oporem à obrigatoriedade da vacinação. Em Lille, no norte do país, cerca de 300 pessoas manifestaram na frente da Agência Regional da Saúde contra a suspensão dos profissionais. Em Paris, a AP-HP, organismo que coordena rede hospitalar pública de Paris, informou que 99% de seus funcionários estão vacinados.

(Com informações da AFP)

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