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Alberto Bombig

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Congresso ficará desmoralizado se instalar CPI da Petrobras e não a do MEC

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) - Pedro Gontijo/Agência Senado
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) Imagem: Pedro Gontijo/Agência Senado

Colunista do UOL

23/06/2022 17h38Atualizada em 23/06/2022 17h38

Não está fácil a vida para os governistas e os bolsonaristas neste final de semestre. Menos de uma semana após o principal líder do Centrão, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressista-AL), ter se juntado ao Planalto na ameaça de instauração de uma CPI para investigar a Petrobras, o Congresso se vê diante de um escândalo que, verdadeiramente, tem motivos de sobra para ser devassado pelo Legislativo: o gabinete paralelo do MEC.

Será que Lira vai manter a coerência e defender publicamente a CPI do MEC? Ou se juntará a Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente do Senado, que se mostrou reativo à iniciativa da oposição na Casa. Ele ao menos foi coerente com sua posição sobre a comissão para investigar a Petrobras.

O problema para Lira é que ele sequer pode usar o mesmo argumento do senador, o de que a proximidade do período eleitoral prejudicaria os trabalhos, e manter a mesma coerência dele. Porque o deputado fez justamente o contrário na Câmara: defendeu a CPI da Petrobras por causa das eleições deste ano, como todo mundo está cansado de saber.

Nos bastidores, segundo apurou a coluna, os líderes do centrão na Câmara estão firmes na pressão sobre Pacheco para que ele trave o avanço da CPI, que tem o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) à frente. Ou seja, para tropa governista comanda por Lira, CPI vale para depreciar uma estatal e para produzir vacinal eleitoral para eles e para Jair Bolsonaro (PL), mas não para apurar o desvio de recursos de públicos em área tão sensível quanto à da educação.

O Congresso Nacional ficará desmoralizado se instalar a CPI da Petrobras e não a do MEC. Por isso, é muito provável que nenhuma das duas acabe saindo neste ano eleitoral.

Os mais céticos e mais rodados em política dirão que o Congresso brasileiro não se importa mais em ficar ou não desmoralizado. Pacheco tem uma grande chance de mostrar que isso não é totalmente verdade e tomar a mesma atitude adotada no pior momento da CPI da Covid, em 2021: apoiar a investigação, doa a quem doer.