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Augusto de Arruda Botelho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonarismo também mata

Bolsonaro tosse durante ato em favor do golpe militar. - Foto: Sérgio Lima/AFP
Bolsonaro tosse durante ato em favor do golpe militar. Imagem: Foto: Sérgio Lima/AFP
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Augusto de Arruda Botelho

Advogado criminalista, cofundador, ex - presidente e Conselheiro nato do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Conselheiro da Human Rights Watch Brasil e do Projeto Inocência.

Colunista do UOL

18/03/2022 04h00

Recentemente dois dados assustadores e preocupantes foram divulgados. Quando me refiro a dados, digo pesquisas sérias, feitas por especialistas de universidades de renome internacional e com publicações feitas em revistas acadêmicas bastante conhecidas.

Não são, portanto, notícias apócrifas que recebemos em grupos de WhatsApp, informações sem fonte que ouvimos de um vizinho, ou memes que circulam em redes sociais.

Depois de dois anos do início da maior pandemia de nossa história, algo é evidente: o governo Bolsonaro e seu líder maior, o Presidente, foi diretamente responsável por milhares de mortes. A condução irresponsável e criminosa do governo em várias frentes deixou de evitar que pessoas morressem, e a comprovação em dados dessa afirmação veio das duas pesquisas citadas no começo deste artigo.

A primeira delas, realizada pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, atesta que o número de mortes por Covid entre não vacinados em São Paulo é 26 vezes maior do que entre os já imunizados. O resultado desse levantamento aponta o óbvio: quem se vacina morre menos. E Bolsonaro, em todos os momentos, a bem da verdade, até hoje, boicota diariamente a vacina. Ele inclusive não se vacinou. Quer pior exemplo do que esse?

A segunda pesquisa, tornada pública pela jornalista Mônica Bergamo, traz a informação de um artigo publicado na prestigiosa revista Lancet que registra que nos municípios que deram vitória ao presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 o número de óbitos foi muito maior do que nos municípios que optaram por outro candidato.

E essa diferença não é pequena. Nas cidades alinhadas a Bolsonaro o índice de mortes por Coronavírus foi 44% maior.

O Bolsonarismo, definitivamente, mata. Esse registro é bastante importante, principalmente porque somos caracteristicamente um povo acostumado a se esquecer rápido de grandes tragédias.

Sinceramente, eu não sei se isso é bom ou ruim. Não sei dizer se a rapidez do luto nos faz erguer a cabeça e nos ajuda a prosseguir com a vida, ou se de alguma forma essa agilidade não nos permite refletir com a devida profundidade sobre os reais problemas do país e, principalmente, enfrentar esses problemas e propor soluções.

Mas o fato é que Bolsonaro parece estar se recuperando, e as pesquisas eleitorais mostram isso. Um dos motivos dessa recuperação, a meu ver, é justamente a fase atual da pandemia.

A pior parte já passou, é verdade, mas não podemos jamais nos esquecer que o pior momento que enfrentamos, aquele em que pessoas morriam sem ar em corredores de hospitais por falta de oxigênio, em que pessoas choravam a perda de familiares, em que a economia sofria por uma condução irresponsável de políticas sanitárias, foi sim proporcionada por esse mesmo presidente que agora parece querer se recuperar em popularidade.

Volto a dizer: passamos a pior parte, mas é preciso lembrar para jamais esquecer: o Bolsonarismo também mata.