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Augusto de Arruda Botelho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coluna de despedida

Augusto de Arruda Botelho - Reprodução/Instagram
Augusto de Arruda Botelho Imagem: Reprodução/Instagram
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Augusto de Arruda Botelho

Advogado criminalista, cofundador, ex - presidente e Conselheiro nato do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Conselheiro da Human Rights Watch Brasil e do Projeto Inocência.

Colunista do UOL

31/03/2022 04h00

Foi curto, passou rápido, mas foi muito bom.

Me despeço hoje dos leitores e leitoras do Uol, mas é por um bom motivo: sou pré-candidato a deputado federal por São Paulo e, por essa razão, deixarei hoje de ocupar tanto este espaço quanto o de comentarista do Uol News às segundas e quartas-feiras.

Aproveito para agradecer não só aos que me acompanharam neste tempo, mas também aos editores do portal, que confiaram a mim este honroso e prestigiado espaço. A decisão de concorrer nas eleições de 2022 não foi uma daquelas simples de se tomar.

Por mais que eu sempre tenha sido um ator político (afinal, são mais de 20 anos trabalhando diretamente com políticas públicas através do terceiro setor), a política eleitoral partidária ainda é um campo extremamente novo para mim. Isso sem contar todos os impactos familiares e profissionais de tal decisão.

O momento pelo qual o Brasil atravessa, no entanto, foi a razão principal que me fez aceitar esse desafio. É urgente e necessário que façamos uma alteração no Congresso Nacional. Uma renovação de quadros com pessoas verdadeiramente comprometidas com o fortalecimento da democracia, com o desenvolvimento do país e com a redução da nossa profunda e insustentável desigualdade social.

A renovação ocorrida em 2018 não trouxe isso, muito pelo contrário. Há parlamentares eleitos naquele pleito que representam justamente o contrário: o atraso, o autoritarismo, o nepotismo.

O Congresso Nacional precisa de ares novos, que sejam de campos ideológicos e partidários diferentes, mas, volto a dizer, com pautas e comprometimentos reais, factíveis e que enfrentem os problemas estruturais do Brasil.

Quando anunciei minha pré-candidatura alguns rótulos já apareceram. Um deles foi o de que haveria uma bancada antilava-jato sendo formada para disputar cargos eletivos. Que fique claro desde já: sou e sempre serei um intransigente defensor do respeito aos direitos e garantias fundamentais, aos direitos humanos e de que investigações de crimes comuns ou de crimes econômicos sejam feitas dentro do limite que a lei e a Constituição impõem.

Não há antilavajatismo, há sim uma bancada pró-respeito ao devido processo legal, respeito ao direito de defesa, à presunção de inocência. Não há crime grave o suficiente que justifique o atropelo da lei. Nenhum deles. E é justamente dentro desse campo, naquele em que atuo há mais de 20 anos, que pretendo contribuir: na construção de uma justiça mais eficaz, mais acessível, mais rápida e mais justa.

Apenas a troca do mais alto cargo da república não será o bastante para recuperar o que os anos de governo Bolsonaro fizeram ao Brasil. A economia está destruída, o emprego escasso, a inflação voltou, a fome assola mais de 19 milhões de pessoas. Não há políticas públicas a longo prazo, não há sequer um projeto em curso. De outro lado temos um governo que acoberta possíveis atos de corrupção praticados por membros de seu alto escalão.

É imprescindível, como disse no começo desta despedida, que façamos uma renovação verdadeira nos quadros da política brasileira.

Com esta mensagem me despeço, não sem antes deixar mais uma vez aqui o meu muito obrigado.