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Robinho se enforca sozinho, Casagrande ataca e Caio Ribeiro passa o pano

Robinho concede entrevista ao UOL em 16 de outubro de 2020 - Marcelo Ferraz/UOL
Robinho concede entrevista ao UOL em 16 de outubro de 2020 Imagem: Marcelo Ferraz/UOL
Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

17/10/2020 14h21

Em tempo (atualizado às 17h50): fiz uma enquete entre meus leitores no Facebook para saber de que lado eles ficam nesta história do Robinho.

Resultado até agora: Casagrande 304 X Caio Ribeiro 0.

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Na entrevista exclusiva concedida aos repórteres Eder Traskini e Talyta Vespa, do UOL, Robinho fugiu de todas as perguntas e se enforcou sozinho, ao não conseguir dar uma versão verossímil sobre o crime de violência sexual contra uma jovem a que responde na Itália, em que há três anos já foi condenado na primeira instância e agora aguarda julgamento de recurso.

Cercado por advogados, assessores e dirigentes do Santos, que desistiram da sua contratação após a reação de patrocinadores, o jogador parecia um menino assustado, caindo em contradições por não ter como se defender, diante das provas apresentadas no processo e reveladas pelo Globo Esporte na sexta-feira.

Robinho admitiu contato íntimo com a vítima, "mas sem penetração", e só admitiu um erro: "Meu crime foi trair minha esposa".

Diante da forte repercussão negativa da torcida feminina nas redes sociais e da ameaça de perder R$ 20 milhões em patrocínios, o Santos se viu obrigado a desistir de trazer Robinho de volta ao time, pela quarta vez.

Em áudio enviado a amigos pelo WhatsApp, o jogador se comparou a Bolsonaro e atacou a Rede Globo, que viu dois dos seus principais comentaristas, ex-jogadores, assumirem posições antagônicas diante do caso, refletindo a guerra desencadeada nas redes sociais.

Casagrande saiu na frente e disparou contra a contratação de Robinho:

"Essa negociação não devia nem ter começado. Foi bom pra mostrar que o futebol faz parte da sociedade, não é um universo separado. Tem que parar de aceitar sacanagem como coisa normal. Lamento muito que tenha que ter pressão dos patrocinadores para o Santos rescindir o contrato. Não vou defender o Robinho de forma nenhuma, neste momento ele é um condenado na justiça italiana. Não tem como defender esse tipo de situação".

Do outro lado do campo, Caio Ribeiro saiu em defesa do jogador, como costuma fazer sempre em seus comentários anódinos, alegando que todo mundo merece o benefício da dúvida.

"A gente não tem todas as informações, então vamos esperar. Quem tem que julgar é a Justiça para decretar se ele é inocente ou culpado. Isso é a primeira coisa e a minha forma de analisar os fatos. Acho um assunto super delicado e fico muito chateado porque conheço o Robinho. Torço ainda pela absolvição dele. O Robinho que eu conheço, que tem três filhos e é casado, eu nunca imaginei que faria isso".

Se Caio não sabe, a justiça italiana já deu a sentença, condenando Robinho a nove anos de prisão e, em dezembro, julgará o recurso da defesa do atleta numa instância superior.

As posições divergentes de Casagrande e Caio Ribeiro refletem a divisão que existe na sociedade brasileira em torno de um personagem onipresente, o presidente Jair Bolsonaro, que agora invadiu até o futebol.

"Você viu o que fizeram com o Bolsonaro antes da eleição? O ataque que fizeram ao cara? Falando que Bolsonaro era isso e aquilo? A gente sabe como a TV Globo é uma emissora do demônio. Vou meter uma camisa quando fizer gol: `Globo lixo, Bolsonaro tem razão´", desabafou o jogador na mensagem aos amigos.

Na conversa com os repórteres do UOL, porém, ele foi bem mais manso para dizer apenas que era inocente.

Quem é inocente não precisa de tropa de choque para dar uma entrevista.

Eu estou com Casagrande. Chega de passar o pano na cabeça de boleiros, "que se julgam deuses, achando que podem fazer tudo e nada acontece".

Vida que segue.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.