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Balaio do Kotscho

Fora de controle, isolado e rejeitado, quem segura Bolsonaro?

O presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada: no país dos maricas, ninguém segura o capitão - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada: no país dos maricas, ninguém segura o capitão Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

13/11/2020 14h24

"Mas já acabaram as eleições?", pergunta Bolsonaro, rindo, a uma apoiadora que estava triste com a derrota de Trump, no mesmo dia em que até o general Mourão e a China reconheceram Joe Biden como vencedor das eleições americanas.

Fora de controle e da realidade, cada vez mais rejeitado e isolado aqui e no mundo, rompido com seu vice e ameaçando os Estados Unidos com pólvora, o presidente simplesmente se recusa a admitir a derrota de Trump e a chegada da segunda onda da pandemia de coronavírus, que avança em nove capitais brasileiras.

Na terça-feira ignóbil em que surtou no Palácio do Planalto, ao reclamar que "tudo agora é pandemia" e que o Brasil precisa deixar de ser "um país de maricas", Bolsonaro extrapolou todos os limites de irresponsabilidade e insanidade no exercício do cargo.

Diante das barbaridades que o capitão vem falando e fazendo nos últimos dias, recomenda-se que nas próximas eleições presidenciais sejam exigidos dos candidatos atestados de sanidade física e mental para poder concorrer.

Enquanto faz companha eleitoral no Palácio da Alvorada, o que é proibido por lei, com seus candidatos derretendo em São Paulo e no Rio, onde o Datafolha registrou esta semana recordes de rejeição ao presidente, os hospitais voltam a ficar lotados de vítimas da covid-19, mas Bolsonaro desdenha do perigo que todos estamos correndo diante da inércia do desgoverno.

Bolsonaro tem certeza que é inimputável, já que mais de 50 pedidos de abertura de um processo de impeachment continuam esperando uma providência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que se finge de morto, mais preocupado com a reeleição do pai que é vereador no Rio.

País de miseráveis

Mesmo sabendo que não há chances de um pedido desses ser aprovado neste momento, enquanto a tropa de choque do Centrão velho de guerra não pular do barco, é importante que pelo menos se inicie o processo para amansar o capitão, em sua desabalada carreira para instalar o caos no país.

"E agora tem essa conversinha de segunda onda. Tem que enfrentar se tiver, porque se quebrar de vez a economia, seremos um país de miseráveis. Só Isso", comentou o presidente nesta manhã de sexta-feira ao deixar o Alvorada.

Conversinha? A economia já está quebrada faz tempo e somos cada vez mais um país de miseráveis, desde a posse de Bolsonaro e sua trupe de aloprados, que levou o país de volta ao Mapa da Fome e a cada mês registra novos recordes de desempregados.

Com o ministro da Economia, Paulo Guedes, cada vez mais desmoralizado e sem saber o que fazer, diante da tempestade que se aproxima com o fim da ajuda emergencial, e o presidente só pensando em reeleição, as pessoas começam a se perguntar: quem será capaz de segurar Bolsonaro?

Seguimos tateando no escuro

Os militares, certamente, não o farão, mais preocupados em garantir suas boquinhas no governo.

O STF, comandado pelo pavão Luiz Fux, tampouco o fará, com a nomeação do novo ministro (quem?), escolhido a dedo para garantir maioria ao presidente no plenário, que agora não conta mais com Celso de Mello, o último moicano.

Exaurido, desalentado, sem lideranças políticas no Congresso ou na sociedade civil, o país não parece se animar nem com as eleições municipais de domingo, disputadas apenas nas redes sociais, invadidas outra vez pelo gabinete do ódio, como em 2018.

Estamos no breu absoluto, apenas torcendo e rezando para que esse pesadelo chegue ao fim, se possível antes do tempo regulamentar.

Só não sei como...

Vida que segue.