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Balaio do Kotscho

Vacinação já para todos: por uma grande campanha de mídia em defesa da vida

                                 O direito à vacinação de todos decorre da gratuidade e universalidade do SUS: agora, cada um tem que fazer a sua parte                              -                                 LOIC VENANCE / AFP
O direito à vacinação de todos decorre da gratuidade e universalidade do SUS: agora, cada um tem que fazer a sua parte Imagem: LOIC VENANCE / AFP
Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

14/01/2021 12h26

Neste domingo, dia 17 de janeiro de 2021, a diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se reúne, a partir das 10h, com transmissão ao vivo pelo YouTube, para decidir sobre a liberação do uso emergencial das vacinas da AstraZeneca/Oxford/Fiocruz e da CoronaVac/Sinovac/Instituto Butantan.

Antes tarde do que nunca, mas não basta ter vacinas: é preciso convencer a população de que todos precisam se vacinar.

Pouco importa quem será o vencedor da "guerra das vacinas", quem chegará na frente para iniciar primeiro a imunização, quem vai aparecer na foto da primeira dose aplicada.

O importante agora é que os brasileiros se convençam de que só conseguiremos debelar a pandemia se a ampla maioria da população se vacinar.

Para que isso aconteça, proponho que o mesmo Consórcio de Imprensa, formado pelos principais veículos de mídia do país para divulgar dados confiáveis sobre a covid-19, faça agora, com a maior urgência, uma campanha institucional conjunta para explicar, didaticamente, que as vacinas não têm contraindicações nem produzem efeitos colaterais, ninguém vai virar jacaré.

Apenas servem para salvar vidas, a nossa e a dos outros.

Informação de qualidade contra o negacionismo antivacina

Só assim será possível combater a campanha antivacina das milícias digitais bolsonaristas que infestam as redes sociais, com todo tipo de desinformação terraplanista e negacionista, incentivada por algumas das mais altas autoridades da República e seus devotos.

Uma campanha com o mote "vacinação já para todos", com depoimentos dos nossos principais cientistas e das vítimas da covid-19 que sobreviveram, e ainda tratam as sequelas, seria a forma mais eficiente para combater esse submundo da internet, que ainda leva um em cada quatro brasileiros a recusar a vacina, segundo a última pesquisa Datafolha (e 50% não querem receber a CoronaVac por ser de procedência chinesa).

De nada adianta agora ficar xingando o governo federal pela demora, o desmazelo e o pouco caso para colocar em prática o Plano Nacional de Imunização, seja lá quais forem os motivos.

É hora de juntar esforços de todo mundo — governadores, prefeitos, Congresso Nacional, STF, mídia, entidades da sociedade civil (OAB, CNBB, ABI), igrejas de todos os credos, agências de publicidade, universidades, clubes de futebol, artistas, associações médicas —, para que o maior número possível de brasileiros seja vacinado, o mais rapidamente possível, única forma de enfrentar essa terrível pandemia que já matou mais de 200 mil brasileiros e contaminou mais de 8 milhões.

Vencida a batalha pela vacina, agora começa a luta mais difícil: levar as pessoas a se vacinar — e essa é uma tarefa prioritária de todos nós, profissionais de comunicação. Não podemos mais ficar esperando tudo do governo.

Cada um terá que fazer a sua parte, antes que seja tarde demais, para sairmos desse baixo astral anestesiante e podermos voltar a ter uma vida normal, sem medo de sair de casa.

Só a vacina salva.

Vida que segue.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.