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Balaio do Kotscho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Réquiem para um governo de sacripantas, parvos, malandrões e nulidades

Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

03/05/2021 16h54

Enfim, caíram todas as máscaras e revelou-se por inteiro a soberba mediocridade de um governo formado na base da mentira e da hipocrisia, em nome do combate à corrupção (dos outros) e da defesa do "livre mercado" (só para eles).

De onde saiu tanto lixo humano para montar um time de mentecaptos e bandoleiros civis e militares que tomaram o país de assalto dispostos a não deixar pedra sobre pedra?

Em torno de um capitão defenestrado pelo Exército por indisciplina, parlamentar do baixo clero por três décadas, incapaz de dirigir uma bodega na Barra da Tijuca, uniram-se o grande capital e o lumpesinato da classe média ressentida, a escória que voltou às ruas neste final de semana enrolada em bandeiras verde-amarelas como se fosse um exército de ocupação.

Como se fosse pouco, querem agora fechar o Supremo e o Congresso para entronizar o "Mito" como imperador absoluto, com plenos poderes para concluir o processo de destruição das instituições e implantar uma ditadura sem disfarces.

No princípio, havia dois "superministros" para avalizar o governo do capitão, lembram-se?

Primeiro, veio o Posto Ipiranga, codinome do megalomaníaco economista pinochetista Paulo Guedes, um especulador da Bolsa, que chamou Sergio Moro, juiz provinciano deslumbrado com as glórias midiáticas da Lava Jato, para cuidar da Justiça e Segurança Pública.

Guedes assumiu com ares de primeiro-ministro e até hoje acha que, se ele sair, o governo acaba, mas com o tempo foi murchando, sem entregar nada do que prometeu, vendo seu ministério se desfazer.

Moro sonhava com uma cadeira no STF, depois achou que poderia se candidatar a presidente da República, bateu de frente com o capitão e hoje ganha a vida como consultor de uma empresa americana.

Dá até pena ver o choro de viúvas de Guedes e Moro na mídia, como se fossem freiras que, de repente, se viram no meio de um lupanar e descobriram quem eram seus ídolos.

Só se enganou com eles quem quis, porque sempre foram umas bestas fundamentais, que se achavam os reis da cocada preta, no meio de um bando de mediocridades do anti-ministério: anti-educação, anti-meio ambiente, anti-saúde, anti-direitos humanos, anti tudo.

O capitão, o economista e o juiz são os três personagens mais patéticos deste enredo de horror que nos desgoverna em meio a uma terrível pandemia.

Este governo pode acabar antes de ter começado, preocupado agora apenas em se safar da CPI do Genocídio.

A marca que a todos une é a absoluta incompetência para estar nos cargos que ocupam, a inapetência para o trabalho e a realidade paralela em que vivem, acreditando nas próprias mentiras.

São todos uns enganadores, e eles sabem disso, já nem disfarçam mais. Mas o gado gosta deles assim mesmo, tanto que sai às ruas em seus carrões para defendê-los com unhas e dentes, muitos dentes arreganhados.

Basta ver as imagens dos manifestantes em defesa do governo: parecem todos saídos do mesmo ninho, olhos arregalados, gritando contra o "comunismo" e que o Brasil nunca será uma Venezuela. Pois já é, lamento informar. O que faltaria ainda?

Só falta oficializar as milícias verde-amarelas e as muitas máfias que se organizaram em torno desse poder, que já foi circo, depois virou hospício e agora é um grande velório a céu aberto.

Era uma vez um país chamado Brasil, que tinha um grande futuro. Viramos isso aí.

Vida que segue.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL