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Balaio do Kotscho

Debate das prévias entre João Doria e Eduardo Leite no Globo termina 0 a 0

Os governadores Eduardo Leite (PSDB-RS) e João Doria (PSDB-SP): prévias tucanas estão marcadas para o dia 21 de novembro .  -  Reprodução / Twitter / João Doria .
Os governadores Eduardo Leite (PSDB-RS) e João Doria (PSDB-SP): prévias tucanas estão marcadas para o dia 21 de novembro . Imagem: Reprodução / Twitter / João Doria .
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Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

19/10/2021 15h59

No primeiro debate das prévias tucanas, no auditório do jornal O Globo, havia três pré-candidatos no palco, mas só dois eram para valer: os governadores João Doria e Eduardo Leite.

O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, representante da velha guarda tucana, fez papel de outsider bem-humorado, só para cumprir tabela.

Os grandes dramas nacionais, como a queda do emprego e da renda, e o aumento da miséria e da fome, passaram ao largo das cansativas duas horas de discussões sobre quem fez mais em seus governos estaduais de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

Doria e Leite mais pareciam dois candidatos à reeleição para governador, prestando contas aos seus eleitores, elencando números de realizações, do que pretendentes à Presidência da República.

Deles não se ouviu sequer as prioridades ou linhas mestras do que poderia ser um programa de governo. Os entrevistadores tampouco estavam interessados em aprofundar questões sobre qual o futuro que pretendem para o Brasil.

São dois políticos da nova geração tucana de neoliberais, apenas com expressão regional e agenda econômica semelhante à de Paulo Guedes, muito finos e educados, evitando o confronto, apenas expondo generalidades sobre o que pensam e gostariam de fazer no governo.

A única diferença que ficou visível desde o início do debate foi a escolha do alvo preferencial na campanha: Doria escolheu Bolsonaro, renegando o BolsoDoria de 2018, e Leite, que também votou no atual presidente, preferiu bater no PT, o tradicional vilão da direita gaúcha.

Os dois falam bem, mas seus discursos são rasos, produtos de muito mídia training dos marqueteiros, não tocam a alma do eleitor.

Com Leite e Doria jogando na retranca, a disputa só poderia terminar empatada num modorrento 0 a 0.

Fica difícil dizer se alguém ganhou ou perdeu votos ao final do cerimonioso encontro.

Também empatados estão os dois pré-candidatos nas pesquisas, com índices que variam entre 4 e 6%, embolados com outros nomes da terceira via.

Ainda haverá outros dois debates, antes das prévias marcadas para o dia 21 de novembro.

Vida que segue.