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Carolina Brígido

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bolsonaro encara nova temporada de tiroteio com volta do STF e do Congresso

O presidente Jair Bolsonaro - Adriano Machado/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro Imagem: Adriano Machado/Reuters
Carolina Brígido

Escreve sobre Judiciário, especialmente o STF, desde 2001. Participou da cobertura do mensalão, da Lava-Jato e dos principais julgamentos dos últimos anos. Foi repórter e analista do jornal "O Globo" de 2001 a 2021. Foi colunista a revista "Época" de 2019 a 2021.

Colunista do UOL

02/08/2021 04h00

Acabaram as férias. Durante o recesso do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso Nacional, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aproveitou para atacar ministros do Judiciário e respirar com a suspensão dos ataques da oposição na CPI da Covid. A partir desta segunda-feira (2), começa uma nova temporada de tiroteio. O Supremo e o Congresso retomam suas atividades e prometem colocar Bolsonaro na posição de alvo.

No STF, o ministro Alexandre de Moraes já deu uma prévia na última sexta-feira (30) de que não haverá trégua neste semestre. Ele determinou a retomada da tramitação do inquérito que apura se Bolsonaro interferiu indevidamente nas atividades da PF (Polícia Federal). A denúncia foi feita pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro, mas as investigações estavam paradas há meses.

Em setembro, o plenário do Supremo vai decidir se Bolsonaro vai prestar depoimento perante a própria PF para instruir as investigações. Caso decida pelo depoimento, o tribunal vai definir se as declarações do presidente serão prestadas pessoalmente, ou por escrito.

Hoje mesmo o Bolsonaro deve ter um choque de realidade na sessão de reabertura das atividades do Supremo. O presidente da Corte, Luiz Fux, promete fazer um discurso contundente em defesa da democracia e das instituições. Bolsonaro irritou ministros da cúpula do Judiciário recentemente ao xingar de "idiota" e "imbecil" o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, que também integra o STF.

Em outra frente, Bolsonaro atacou a Justiça Eleitoral e disse reiteradas vezes que a urna eletrônica é passível de fraude. Ele chegou a dizer que apresentaria provas de suas declarações em uma live na semana passada, mas acabou admitindo que não tinha evidências das falhas no sistema eleitoral.

Nesta semana, o corregedor do TSE, ministro Luís Felipe Salomão, deve se encontrar com o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news. A conversa será sobre o destino das investigações que tramitam no TSE sobre as declarações de Bolsonaro sobre a urna eletrônica. Há o risco de Moraes incluir o presidente no inquérito do STF que apura a disseminação de informações falsas.

Paralelamente, as atividades do Congresso Nacional serão retomadas com foco na CPI da Covid, em curso no Senado. A oposição tem usado a comissão como palco para bater em Bolsonaro - e deve seguir fazendo isso até novembro. Na Câmara dos Deputados, o presidente, Arthur Lira (PP-AL), seguirá se equilibrando em meio às dezenas de pedidos de impeachment contra Bolsonaro.

Enquanto isso, o mandatário amarga queda crescente em sua popularidade e perde, nas pesquisas de intenção de votos, para seu principal opositor: o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Os próximos meses não serão nada fáceis para Bolsonaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL