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Chico Alves


"Sou político de resultados", diz Ricardo Barros, novo líder do governo

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) Imagem: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Folhapress
Chico Alves

Colunista do UOL

13/08/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Novo líder do governo na Câmara, Barros afirma que "Centrão não é toma lá, dá cá"
  • Ex-ministro de Temer diz que Lava Jato cometeu ilegalidades, que serão passadas a limpo
  • Guedes é prestigiado e não há insegurança sobre permanência dele no governo, diz Barros

Logo depois de anunciado como novo líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) já botou a mão na massa. Participou da reunião da tarde de ontem com o presidente Jair Bolsonaro, ministro Paulo Guedes, deputado Rodrigo Maia e senador Davi Alcolumbre. À noite falou ao celular com todos os líderes da Casa. Hoje tem reunião marcada com seu antecessor, o deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO).

Isso é só o aquecimento. "Vou iniciar a função efetivamente quando o Diário Oficial publicar meu nome como líder", disse Barros.

Nessa entrevista à coluna, a primeira depois que se tornou líder, ele diz como será seu estilo na representação do governo. Experiência para a tarefa não lhe falta: foi líder na gestão de Fernando Henrique Cardoso, vice-líder nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff e ministro da Saúde com Michel Temer. Pretende usar esse know-how para criar ambiente mais favorável a Bolsonaro entre os deputados.

Barros diz que é preciso manter o teto de gastos, mas também achar "folga" no Orçamento para investimentos em áreas como Saúde e Educação.

O deputado discorda de quem diz que o governo Bolsonaro cedeu ao "toma-lá-dá-cá" quando fez parceria com o Centrão. "O Centrão é um conjunto de partidos que atua conforme o nosso sistema de governo, que é o presidencialismo de coalizão", justifica.

Aos que reclamam que um sinal de que o governo abandonou o combate à corrupção foi o rompimento com Sergio Moro, Barros rebate e argumenta que a caça aos corruptos deve ser feita dentro da lei. Para ele, a Lava Jato cometeu ilegalidades e por isso agora a força-tarefa resiste a dar transparência a suas práticas, quando cobrada pelo procurador-geral da República. "O Zorro é um herói, mas um dia o Sargento Garcia pega ele", ironiza.

UOL - Qual a característica que o sr. vai implantar agora como novo líder do governo na Câmara?

Ricardo Barros - Sou um político de resultados. Tenho capacidade de articulação porque sempre fui líder e vice-líder de governo durante todos os meus mandatos. Fora a gestão Temer, em que fui ministro. Então, acredito que vou poder contribuir com esse trânsito adquirido ao longo dos anos com os parlamentares para fazer avançar as pautas do governo na Câmara dos Deputados.

No ano passado o sr. deu uma entrevista dizendo que o governo não estava querendo se entender com o Congresso. O presidente mudou essa visão?

Desde o início do ano o presidente Bolsonaro vem conversando com os líderes, com os presidentes de partido. Ele tinha se articulado inicialmente com frentes parlamentares e há alguns meses ele vem trabalhando com os partidos. Isso tem melhorado de forma significativa a sua articulação e a capacidade de formar maioria na Câmara e no Senado.

O sr. foi anunciado como líder em um dia especialmente tenso, em que se falou no embate entre a visão de austeridade do ministro Paulo Guedes e o apetite de gastos do Centrão. Existe esse confronto?

Não. Acho que o ministro Guedes tem dado sinais claros de sua forma de pensar, ele é muito prestigiado pelo presidente. Eu estava na reunião de ontem, convocado pelo presidente. O caminho é esse mesmo, nós temos que ajustar o Orçamento sem furar o teto. Apertar o cinto, fazer reforma administrativa, a reforma tributária, a previdenciária já fizemos, para poder ter folga no Orçamento sem furar o teto.

Em que áreas o sr. acha que haveria possibilidade de conseguir essa folga?

Noventa e seis por cento das receitas do governo são vinculadas. Então, já está dito pela legislação onde tem que gastar: Saúde, Educação... Essas são despesas vinculadas.

Nós precisamos agora ampliar a quantidade de recursos livres que o governo tem para poder avançar. O governo precisa investir, precisa de infraestrutura, precisa colocar o país mais competitivo.

Mas precisa encontrar esse espaço dentro do teto de gastos. Estamos com esses juros a 2% porque aprovamos o teto, porque o governo mostrou capacidade de aprovar a reforma da Previdência, porque o governo fez a lição de casa.

Na reunião de ontem, o ministro Paulo Guedes mostrou-se inseguro quanto a sua permanência no governo?

Não há esse clima. O ministro Paulo Guedes é muito prestigiado pelo presidente e ele foi o condutor da reunião que nós fizemos.

Há uma interpretação de que o governo Bolsonaro de agora é completamente diferente do que se propunha. Por se aliar ao Centrão, o presidente teria cedido ao toma-lá-dá-cá, e por tornar-se adversário de Sergio Moro teria abandonado o combate à corrupção. O que acha dessa avaliação?

Tudo errado. O Centrão não é toma-lá-dá cá, o Centrão é um conjunto de partidos que atua conforme o nosso sistema de governo, que é o presidencialismo de coalizão. É preciso lembrar que o presidente e todos os últimos presidentes se elegem com algo em torno de dez por cento de representação de seus partidos nas casas legislativas. Por isso é preciso fazer coalizão. É adequado que esses partidos que dão governabilidade possam executar seus programas de governo através de seus representantes.

O presidente tentou inicialmente se articular com frentes parlamentares, mas depois entendeu que isso não estava lhe dando base parlamentar. Por isso, passou a se articular com os partidos desde o início do ano. Então, não tem nada de toma-lá-dá-cá.

E quanto ao combate à corrupção?

Também não é verdade que o governo tenha abandonado o combate à corrupção com a saída do Moro. A Lava Jato está sendo combatida até pelo procurador-geral da República. O estilo Lava Jato de implementar as questões judiciais não tem amparo na legislação e nem na Constituição.

Essas ilegalidades que foram cometidas pela Lava Jato serão passadas a limpo num determinado momento, sem prejuízo do resultado do combate à corrupção que foi estabelecido e é louvável.

O que nós vemos é que a legislação que foi proposta (a Lei Anticrime) acabou aprovada na Câmara dentro do que foi possível negociar com a sociedade. A Câmara é a representação da sociedade. Não é um juiz que vai dizer como tem que ser a lei no Brasil, é o Congresso que tem que dizer como vai ser a legislação. O juiz Moro tentou implementar sua visão.
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A força-tarefa também está sendo questionada pelo procurador-geral e está se esquivando como pode de dar transparência ao que fez.

Eu penso que o Congresso avançou, aprovou medidas novas de combate à corrupção. Não vejo que nós tivéssemos que nos curvar à visão de alguém ou de um grupo de pessoas que queiram impor à sociedade um sistema de justiceiros e não de Justiça.

O Zorro é um herói, mas um dia o Sargento Garcia pega ele.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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