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Flávio Bolsonaro previu a saída de Wilson Witzel

Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

28/08/2020 13h32

Wilson Witzel, que o Superior Tribunal de Justiça afastou hoje do cargo de governador do Rio, mostrou desde o primeiro dia de mandato que tinha uma ideia fixa: usar o posto como vitrine para pavimentar a candidatura à presidência da República.

Isso fez com que Witzel, eleito na onda do bolsonarismo, passasse a ser visto como traidor e inimigo pelo presidente Jair Bolsonaro logo nos primeiros meses de 2019.

Mesmo com a situação desesperadora das finanças do estado, que é totalmente dependente do acordo de recuperação fiscal com a União, Witzel topou a briga com Bolsonaro.

Como novato no ramo, porém, não soube conquistar aliados políticos e perdeu apoio tanto na Assembleia Legislativa quanto na bancada federal.

Começou 2020 já enfraquecido e o desempenho durante a pandemia isolou completamente o governador fluminense.

O mau uso do dinheiro público ficou escancarado. O governo estadual pagou antecipadamente 250 milhões à organização Iabas pela montagem e instalação de 7 hospitais de campanha. Desses, somente dois ficaram prontos. E, mesmo assim, funcionando só com 10% da capacidade.

Houve a compra de mil respiradores também pagos antecipadamente. Desses, só 50 foram entregues, e mesmo assim fora do padrão ideal para tratamento da covid-19.

O secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, foi preso junto com outros dois subsecretários.

Essas foram as barbeiragens mais vistosas entre muitas outras, e motivaram a abertura do processo que pode levar ao impeachment pela Assembleia Legislativa.

O STJ acabou sendo mais rápido. Tirou Witzel do poder por 180 dias, expediu 82 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão, sendo um do presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo

A primeira-dama, Helena Witzel, foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República, acusada de fazer parte de esquema de pagamento de propina.

Ou seja, o governador ficou cercado. O sonho de candidatura à presidência foi definitivamente sepultado.

Agora, assume o vice, Claudio Castro, que curiosamente foi ontem à Brasília para uma conversa com o procurador-geral da República. Nos meios políticos fluminenses tem muita gente estranhando esse encontro.

Para alguns, isso pode representar que o Palácio Guanabara deixa de ser comandado por um adversário de Bolsonaro para ser chefiado agora por alguém aliado com Brasília.

Não custa lembrar que há seis dias o senador Flávio Bolsonaro comentou com interlocutores que acreditava que a escolha do novo chefe do Ministério Público do Rio seria feita não por Witzel, mas por Claudio Castro.

Como se sabe, o MP do Rio é que toca a investigação do caso da rachadinha na Alerj, que teria beneficiado justamente Flávio. No comentário, que foi replicado em matérias do fim de semana, o senador disse que o ideal seria que o indicado deveria distensionar o clima no Ministério Público.

A saída de Wilson Witzel e a chegada de Claudio Castro ao poder parece, então, conveniente tanto para Jair Bolsonaro, quanto para Flávio.

A outra questão que fica é: como o filho 01 apostava com essa certeza toda que Castro logo estaria no lugar de Witzel? Pelo visto, a bola de cristal de Flávio Bolsonaro está tinindo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.