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Chico Alves

Generais continuam ao lado de Bolsonaro, mas "rachadinha" causa desgaste

Presidente Jair Bolsonaro -  Agência Brasil
Presidente Jair Bolsonaro Imagem: Agência Brasil
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

07/09/2020 12h39

A julgar pela opinião de cinco generais da reserva ouvidos pela coluna, Jair Bolsonaro comemora o segundo Dia da Independência como presidente mantendo o apoio dos oficiais do alto escalão das Forças Armadas. Eles relatam, porém, alguns pontos de desgaste do chefe do Executivo. Os principais são o caso da "rachadinha", o acordo com o Centrão e o apoio à redução da influência da força-tarefa da Lava Jato.

Quatro dos oficiais, sob condição de anonimato, criticaram os esforços de Bolsonaro ao tentar livrar os filhos da investigação sobre o esquema de "rachadinha" ocorrido na Assembleia Legislativa do Rio, que teria como beneficiário o ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro, atual senador. Para eles, nesse caso há indícios fortes de corrupção.

Todos os militares ouvidos disseram que continuam apoiando o governo Bolsonaro e citaram como argumento a preocupação com o retorno da esquerda ao poder, o bom desempenho de ministros como Tarcísio de Freitas (da Infraestrutura) e o maior investimento nas Forças Armadas. Mas são muito fortes as críticas à falta de prioridade na repressão a práticas pouco republicanas.

"O combate à corrupção e à fraude é fundamental ao Brasil. Infelizmente, o momento é de descrença. Nada de Novo no Front", escreveu ontem no Twitter o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo da Presidência.

Outro que faz duras críticas é o general Paulo Chagas. "O presidente teve que abandonar o combate à corrupção por problemas familiares e para contar com o apoio de quem se sente vítima da Lava Jato", diz ele, referindo-se aos políticos do Centrão. "Para glória da esquerda que, sem piedade, explora as evidentes contradições daí decorrentes".

Quanto aos depósitos de Fabrício Queiroz e da mulher, Márcia, na conta da primeira-dama, Michelle, os generais ouvidos se dividem ao opinar se há elementos suficientes para acusar o presidente de participação no esquema de corrupção. Dois deles acham que não. Três acreditam que sim.
"Tudo que está sendo investigado terminará na conta de Jair Bolsonaro. Como provar que não sabia de nada e que foi surpreendido?", questiona Chagas.

Dois oficiais disseram que mesmo se for provada alguma ilegalidade, isso não poderia ser comparado ao que ocorreu nos governos petistas, já que, segundo eles, o valor em questão seria muito menor.

Outro motivo de críticas é o que alguns fardados chamam de "populismo" de Bolsonaro, que estaria obcecado pela reeleição, e a conduta diante da pandemia. Em especial, reprovam a falta de incentivo do presidente a uma futura campanha de vacinação.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.