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Presidente, não tem uma resposta decente sobre Queiroz?

O ex-assessor Fabrício Queiroz em confraternização com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) - Reprodução
O ex-assessor Fabrício Queiroz em confraternização com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) Imagem: Reprodução
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

26/08/2020 17h34

Em viagem à cidade mineira de Ipatinga, o presidente Jair Bolsonaro voltou a se deparar com a pergunta que deve persegui-lo até o fim do mandato: "por que sua esposa, Michelle, recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?". Dessa vez, reconheceu que extrapolou ao sugerir que daria uma "porrada" no repórter que o questionou, mas logo em seguida voltou a culpar a imprensa.

"Não tem.uma pergunta decente pra fazer?", reclamou.

Não há nada de indecente em um jornalista querer saber sobre movimentações financeiras do presidente da República. Pelo contrário, essa é uma das tarefas fundamentais da imprensa.

A depender da origem do dinheiro que Fabrício Queiroz depositou na conta da primeira-dama, a resposta, sim, é que pode fazer corar as crianças que estiverem na sala.

Até agora, como se sabe, as explicações de Bolsonaro estão longe de razoáveis. Enquanto o mistério continuar, a pergunta volta e meia será feita em alguma coletiva do presidente.

Em 2018, quando foram descobertos os primeiros repasses de Fabricio Queiroz para Michelle Bolsonaro (R$ 24 mil), o presidente alegou que era pagamento de um empréstimo que ele tinha feito ao amigo. O Ministério Público, no entanto, não encontrou indícios desse crédito na movimentação bancária do ex-assessor de Flávio Bolsonaro..

Para explicar por qual motivo Queiroz fez o pagamento depositando na conta de Michelle e não na do presidente, Bolsonaro disse o seguinte: "Só não foi na minha conta por questão de mobilidade minha, que eu ando atarefado o tempo todo para ir em banco".

Em tempos de netbanking, esse enredo não faz o menor sentido. Menos ainda depois que se sabe que o montante depositado para Michelle é bem maior que a quantia que se conhecia há um ano e meio e chega a R$ 89 mil (por enquanto).

Quando deu explicação tão descuidada, o presidente parecia estar certo de que o caso seria esquecido em pouco tempo. Não foi o que aconteceu, a história da rachadinha fica cada vez mais escabrosas.

Por isso é importante que os brasileiros tenham uma satisfação sobre o assunto. De uma vez por todas, presidente: não tem uma resposta decente para dar?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.