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Chico Alves

Da doação eleitoral à compra de imóveis, grana viva é mania dos Bolsonaros

Maços de dinheiro - Divulgação/Polícia Federal
Maços de dinheiro Imagem: Divulgação/Polícia Federal
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

07/10/2020 18h42

Fazer pagamentos e receber em dinheiro vivo parece ser para a família Bolsonaro hábito mais frequente que dar "bom dia" ou tomar banho. Essa naturalidade fez com que o presidente da República incorresse em infração eleitoral ao contribuir com R$ 10 mil em espécie para a campanha do filho Carlos a vereador.

A barbeiragem foi mostrada pelos jornalistas Pedro Capetti, Juliana Dal Piva e Marlen Couto, do Globo, e Ítalo Nogueira e Ana Luiza Albuquerque, na Folha de S. Paulo,

A partir da investigação do esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio, descobriu-se que praticamente todo o clã tem essa fixação.

Além de Flávio Bolsonaro, o pivô da história, também comungam do hábito seus irmãos Eduardo e Carlos e as ex-mulheres de Jair Bolsonaro, Rogéria e Ana Cristina—, todos movimentaram altas quantias em espécie, inclusive compraram imóveis pagando dessa forma.

Completam a lista a atual mulher de Bolsonaro, a primeira-dama Michelle, e agora ele próprio.

Em 2018, a Procuradoria-Geral da República opinou que o tipo de doação eleitoral como a que o presidente fez ao filho Carlos possibilita a lavagem de dinheiro e a utilização de laranjas. O limite é de R$ 1.064,10. Acima dessa quantia, os doadores devem usar transferência bancária ou cheque cruzado e nominal, modalidades pelas quais os Bolsonaros parecem nutrir profunda antipatia.

Obviamente, o uso de moeda corrente, por si só, não configura ilegalidade. Mas desde que, há muitas décadas, a polícia passou a investigar crimes de lavagem de dinheiro, a utilização de cédulas com frequência e em altos valores é vista como indício desse tipo de ilegalidade.

A penalidade pela doação além do limite estabelecido é branda, apenas a devolução da quantia por parte do candidato.

O pior saldo do episódio para Jair Bolsonaro é a demonstração pública de desobediência às regras (algo desabonador para o político mais poderoso do país) e, principalmente, lembrar ao Brasil que esse hábito familiar de pagar contas vultosas com cédulas é também prática de personagens que, por várias vezes, acabaram seriamente encalacrados com a Justiça por causa disso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.