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Chico Alves

REPORTAGEM

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Santos Cruz discorda de Mourão sobre aumento fura-teto: 'Imoralidade'

Ex-ministro, general Carlos Albertos Santos Cruz  - Isac Nóbrega/Presidência da República
Ex-ministro, general Carlos Albertos Santos Cruz Imagem: Isac Nóbrega/Presidência da República
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

11/05/2021 04h00

Em uma das críticas mais duras que já publicou nas redes sociais, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz classificou como "imoralidade" e "falta de vergonha" a portaria do Ministério da Economia que autorizou funcionários militares e civis aposentados a receberem remuneração acima do teto quando tiverem outra ocupação. Com isso, o vice-presidente Hamilton Mourão passará a receber R$ 63 mil e o presidente Jair Bolsonaro receberá R$ 2.344 a mais.

Na postagem no Twitter, datada de sexta-feira, 7, Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro, reclamou que o teto de R$ 39,2 mil mensais foi ultrapassado — com a portaria, o limite de remuneração será aplicado à aposentadoria e à nova ocupação separadamente. "Mais privilégios e desigualdade social. Bando de irresponsáveis viciados em dinheiro público", postou.

A coluna procurou Santos Cruz para saber a quem se referia ao fazer críticas tão contundentes, mas ele não identificou o alvo. "Pra mim não interessa quem é, eu penso a mesma coisa", alegou.

Em entrevista ao UOL, concedida ontem, Hamilton Mourão avaliou que o reajuste é legal, mas não ético. Disse também que pretende doar o valor que ganhar a mais para instituições de caridade ou para sua legenda, o PRTB.

O ex-titular da Secretaria de Governo acredita que isso não soluciona o caso. "Claro que não, a imoralidade continua a mesma", diz Santos Cruz. "Isso tem que ser anulado, é legal e imoral".

Ele também rebate outra declaração de Mourão na mesma entrevista ao UOL, quando disse que a portaria não foi decidida por Bolsonaro, mas pelo Ministério da Economia, obrigado pelo STF.

"Isso é brincadeira, o presidente não viu nada!", refuta Santos Cruz. "Fazem uma portaria que aumenta o ganho do presidente da República e ele não sabe de nada... Até agora!", reclamou à coluna. "Isso não é sério".