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Chico Alves

REPORTAGEM

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'Mario Frias não sabe a importância da Cinemateca', diz primo do secretário

Mário Frias e Raul Milliet - Reprodução do YouTube e Divulgação
Mário Frias e Raul Milliet Imagem: Reprodução do YouTube e Divulgação
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

30/07/2021 16h20

Para o historiador carioca Raul Milliet, a principal autoridade da área de cultura do Brasil não tem ideia do valor do acervo da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, onde houve ontem incêndio em um dos galpões. Milliet se refere ao secretário de Cultura do governo Jair Bolsonaro, o ator Mario Frias, de quem é primo. "Ele não conhece o conteúdo do acervo da Cinemateca e não sabe a importância histórica daquele material", diz o historiador sobre o parente.

Em entrevista à coluna, em abril, Milliet já tinha criticado a gestão da Secretaria de Cultura e se mostrava preocupado com o acervo da Cinemateca.

O incêndio de ontem atingiu documentos do Instituto Nacional de Cinema, Concine, Embrafilme e Secretaria do Audiovisual. Ainda está sendo feito o levantamento sobre a perda de cópias e matrizes secundárias de filmes.

"O interesse do Mario Frias é manter o emprego e o salário", diz o historiador. Ele exemplifica a falta de conhecimento do primo sobre cultura citando a Mostra de Arquitetura que aconteceu em maio, em Veneza: "O secretário viajou para lá sem saber quem era a grande homenageada, a Lina Bo Bardi (arquiteta nascida na Itália e radicada no Brasil que criou importantes obras arquitetônicas, como o prédio do Masp, a Casa de Vidro, o Sesc Pompeia e muitas outras)".

Sobre a argumentação de Frias, que atribuiu o incêndio à "herança maldita do petismo", Milliet não tem meias palavras. "É o cúmulo da pilantragem, a Dilma saiu do poder há cinco anos", diz ele sobre o primo. "Quantas vezes esse cara foi a São Paulo para cuidar daquele acervo?".