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Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

'A gente não conhece esse Zé Trovão', diz líder caminhoneiro

Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

04/09/2021 04h00

Apesar de se apresentar como caminhoneiro e falar aos motoristas em seguidos vídeos que circulam no WhatsApp para convocação às manifestações de 7 de setembro, Marcos Antonio Pereira Gomes, o Zé Trovão, é desconhecido de líderes da categoria. Ele teve prisão preventiva pedida ontem pela Procuradoria-Geral da República e autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

"Essa pessoa fez vídeo dentro de um caminhão, mas a gente não sabe se ele é caminhoneiro ou proprietário. A gente não conhece", disse à coluna Plinio Dias, presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC). "E olha que estou no ramo há 22 anos. Essa figura apareceu de paraquedas".

Zé Trovão foi alvo de mandado de prisão expedido ontem por planejar ações antidemocráticas na manifestação marcada para terça-feira, mas a Polícia Federal não o encontrou, pois está foragido. Nas redes sociais bolsonaristas, a aposta era que a decisão do ministro Moraes aumentaria a mobilização dos caminhoneiros para as manifestações de terça-feira, mas as lideranças nacionais dos motoristas discordam.

"Ele só passou a ser conhecido depois que apareceu ao lado do Sérgio Reis, dizem que é celetista", afirma Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores.

Ao contrário do que querem fazer parecer as centenas de mensagens que circulam nos aplicativos de mensagem e nas redes sociais, as lideranças dos caminhoneiros não aderiram às manifestações de 7 de setembro.

"Quem está bancando alguns caminhoneiros é o agronegócio, não é gente da categoria que está apoiando esse movimento", explica Plinio Dias.

A CNTRC divulgou ontem nota em que "repudia veementemente qualquer ato que viole as balizas constitucionais" e também "qualquer pretensão de paralisação das atividades para fins exclusivamente políticos". O texto ressalta que a "paralisação não possui qualquer pauta específica em favor da categoria dos transportadores autônomos".

"Por fim, alertamos que fatos e atos antidemocráticos, inclusive os cometidos pelas redes sociais, poderão ser objeto de investigação e inquérito para apuração de suposta organização criminosa digital que promove atos de violência contra a democracia", encerra a nota.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos emitiu também uma nota em que conclui que as manifestações de 7 de setembro "não carregam em seu escopo nenhuma reivindicação específica relacionada à atividade profissional do caminhoneiro autônomo" e lembra que a participação de qualquer motorista nessa mobilização representará "sua vontade individual".