PUBLICIDADE
Topo

Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pesquisa mostra que evangélicos não querem golpismo, mas boa gestão

15.set.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília - Adriano Machado/Reuters
15.set.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Adriano Machado/Reuters
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

16/09/2021 18h22

Entre os setores da sociedade que o presidente Jair Bolsonaro identifica como aliados principais, os evangélicos são citados a todo momento. A aposta em lideranças desse ramo religioso é cada vez maior, como se viu no discurso golpista feito no dia 7 de setembro, na Avenida Paulista, quando Bolsonaro tinha a seu lado o pastor Silas Malafaia , o bispo Estevam Hernandes e outras personalidades do mesmo naipe.

Para agradar aos céus, Bolsonaro brigou para manter templos abertos durante a pandemia, cumpriu a promessa de indicar um nome "terrivelmente evangélico" ao Supremo Tribunal Federal e sempre que pode se reúne com bispos e pastores.

Apesar de todo esse esforço, a mistura de religião com política parece não estar agradando muito os fiéis.

A pesquisa Datafolha divulgada hoje mostra que o índice de aprovação de Bolsonaro junto aos evangélicos é descendente e não passa de míseros 29%, contra uma reprovação de 41%.

Os números mostram ao presidente que os fiéis dessa ou daquela denominação evangélica podem respeitar muito os pastores em momentos de oração, mas quando se trata de política as condições econômicas e sociais falam mais alto. Com os preços estratosféricos dos alimentos, gás de cozinha, gasolina e energia, o governo vai ter que mudar muita coisa para conquistar a aprovação desse público.

A pesquisa serve também para combater a visão preconceituosa de que o termo "rebanho" usado por alguns religiosos para se referir a seus fiéis pode ser adequado quando o assunto é o voto. Nada disso. Como se vê, os evangélicos sabem muito bem avaliar se o governo está ou não resolvendo os problemas que interferem no seu cotidiano.

Bolsonaro pode se sentir poderoso quando negocia ou discursa ao lado de lideranças evangélicas seguidas por milhões de fiéis. Mas é preciso entender que esses brasileiros pentecostais e neopentecostais esperam de seu presidente muito mais que bravatas ou declarações golpistas.

Querem apenas uma boa gestão.

Mas, convenhamos, Bolsonaro alcançar esse objetivo seria um verdadeiro milagre.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL