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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Na corrida pela condenação, Carluxo passa à frente dos irmãos

Vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ)  - Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo
Vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) Imagem: Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

23/09/2021 16h54

Há tempos, quatro dos filhos do presidente Jair Bolsonaro estão envolvidos em uma pitoresca modalidade de competição. Seja por rachadinha, disseminação de fake news, incentivo a atos antidemocráticos ou tráfico de influência, os rapazes estão na mira do Judiciário e do Ministério Público. Dependendo do momento, um parece mais perto da condenação que o outro.

O primeiro a se sobressair foi o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), que pouco antes de o pai assumir a Presidência despontou nos noticiários por conta da acusação de chefiar um grande esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio, quando foi deputado. Depois, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), o Carluxo, ganhou destaque como possível responsável pelo bombardeio de fake news que as redes bolsonaristas cometeram antes e depois da eleição presidencial.

Outro que pontificou foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também por acusações de fake news e organização de atos antidemocráticos que aconteceram em Brasília. O último a ingressar no seleto grupo dos inquéritos policiais foi Jair Renan, investigado por tráfico de influência pela Polícia Federal, já que teria usado seu status de filho presidencial para apresentar empresas ao governo.

Nos últimos dias, porém, nessa disputa que parecia embolada Carluxo ganhou a dianteira.

O Ministério Público do Rio e a Justiça reuniram uma série de informações que colocam o filho 02 em situação complicada. A saber:

- Os domicílios de quatro funcionários fantasmas do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro estão registrados no endereço de uma casa do presidente Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca. É o que consta do cadastro da Receita Federal e da Câmara Municipal do Rio, para envios de correspondências fiscais e administrativas.

- O MP apresentou denúncia segundo a qual oito funcionários do gabinete de Carluxo trabalhavam em empresas privadas na mesma época em que estavam lotados em cargos de assessores na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

- Os promotores apontam que os depoimentos de quatro ex-funcionários do gabinete de Carlos sobre a acusação de rachadinha em seu gabinete foram combinados na véspera das oitivas, em novembro de 2019, segundo informou O Globo.

Um novo embaraço veio à tona hoje, em matéria assinada pela jornalista Juliana Dal Piva, colunista do UOL. Ela informa que o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio), ao autorizar a quebra de sigilos bancário e fiscal do vereador, fez menção a "indícios rotundos de atividade criminosa em regime organizado" e que "Carlos Nantes [Bolsonaro] é citado diretamente como o chefe da organização".

Pela celeridade que a investigação do MP assumiu e pela contundência das provas, Carluxo parece agora mais perto da linha de chegada processual.

Para um presidente que se gabou na ONU de ser tão ligado à família (e que família!), a situação não é fácil.

Uma eventual condenação do 02 representaria talvez o pior golpe para Jair Bolsonaro, já que a ligação emocional entre os dois aparenta ser mais forte.

Analisando os últimos acontecimentos, um bom conselho para Jair seria: mantenha o coração em ordem.

Claro que Flávio, Eduardo e Jair Renan têm todas as condições de fazer uma ultrapassagem na reta final. Mas Carluxo parece agora bem mais perto da chegada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL