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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Barra Torres usa a palavra certa para definir atos de Bolsonaro: crime

O presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres - Eduardo Militão/UOL
O presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres Imagem: Eduardo Militão/UOL
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

20/01/2022 15h39

Ao falar na reunião que aprovou hoje o uso da vacina CoronaVac em crianças a partir de seis anos, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o almirante Antonio Barra Torres, criticou a campanha de desinformação contra o imunizante. Não citou nomes, mas classificou corretamente a gravidade desse tipo de procedimento.

"É criminoso buscar difundir mentiras através das novidades mentirosas, do inglês fake news", criticou Barra Torres.

Exatamente: crime é o que cometem Jair Bolsonaro e seus apoiadores na insistente mobilização para desestimular a população brasileira a se imunizar contra a covid-19. O diretor da Anvisa não precisa nomear o chefe dessa quadrilha. Todos sabem que o principal incentivador da desinformação é o presidente da República.

O fato de Bolsonaro não estar respondendo por esse crime contra a saúde pública deve ser creditado não só a seus marionetes, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mas também a um transe geral da sociedade brasileira.

Uma parte da população parece ter perdido de vista a gravidade das irresponsabilidades praticadas por Bolsonaro, outros apenas torcem para que ele saia logo do poder para que alguma normalidade institucional seja restabelecida.

Enquanto isso, os absurdos se sucedem.

O presidente continua a falar em imunidade de rebanho; atemoriza pais de crianças citando efeitos colaterais das vacinas, que são residuais; comemora o fato de a imunização não ser obrigatória. Seu ministro da Saúde segue o mesmo padrão e uma das deputadas de sua tropa de choque, Carla Zambelli (PSL-SP), chegou ao absurdo de pedir a suspensão da vacinação de meninos e meninas.

Na reunião de hoje, Barra Torres e técnicos da Anvisa repisaram várias verdades. A vacina não é experimental, o imunizante é seguro e a pandemia não acabou.

"Em meio a um cenário que aponta claramente para o avanço da variante ômicron, ainda há pessoas dizendo que pandemia está acabando, que a chegada da variante sinaliza o fim da pandemia", disse diretor da Anvisa. "Os números não mostram isso".

Essa ofensiva de desinformação é criminosa, como assinalou o almirante.

A constatação não resolve problema algum, não intimida o presidente mentiroso e seus asseclas.

Mas chamar o crime pelo termo correto ao menos restabelece alguma normalidade ao devaneio geral que vivemos atualmente.