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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Comentário de Moro sobre honestidade vira elogio indireto a Lula

O ex-presidente Lula e o ministro da Justiça, Sergio Moro - Miguel Schincariol/AFP e Sérgio Lima/AFP
O ex-presidente Lula e o ministro da Justiça, Sergio Moro Imagem: Miguel Schincariol/AFP e Sérgio Lima/AFP
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

04/06/2022 00h00

O ex-juiz Sergio Moro destacou ontem na pesquisa Ipespe/XP o aspecto que mais o interessou. Em um tuite, comemorou que a honestidade foi apontada pelos pesquisados como a característica mais importante para o próximo presidente. "O abandono da ética é que colocou o Brasil nessa arapuca da polarização. Mas vamos superar", escreveu Moro.

O que o ex-juiz não disse foi que a mesma pesquisa Ipespe/XP citada por ele mostra qual candidato a presidente o eleitor considera o mais honesto: justamente Lula, seu adversário político. Para 35% dos entrevistados, o petista é o destaque nesse quesito.

Jair Bolsonaro é considerado o segundo candidato mais honesto, com 30% das cotações. Ciro Gomes aparece em terceiro, com 11%.

A pesquisa mostra que 81% dos eleitores consideram a honestidade como característica mais importante para o próximo presidente. Preocupação com as pessoas é o segundo atributo mais citado, com 77% de menções. Em terceiro lugar, vem a competência, para 72% dos entrevistados.

Como se sabe, Sergio Moro baseia sua atuação política no discurso de combate à corrupção, por causa do trabalho como juiz em casos da operação Lava Jato. Todas as sentenças de condenação contra Lula, inclusive a que resultou na prisão do ex-presidente por 580 dias, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Moro foi considerado parcial e sem competência para julgar esses processos.