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Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Dirigentes respondem: Por que PT e PDT não votaram contra PEC dos R$ 41 bi?

Gleisi Hoffmann e Carlos Lupi - Divulgação
Gleisi Hoffmann e Carlos Lupi Imagem: Divulgação
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

01/07/2022 10h55

Os partidos de oposição passaram os últimos dias fazendo duras críticas à PEC16, elaborada pelo governo, que dribla a lei eleitoral para permitir ao governo gastar R$ 41 bilhões em benefícios sociais em pleno ano da eleição. Na votação feita no Senado ontem, porém, nenhum representante da esquerda se posicionou contra a proposta, que acabou aprovada por 67 a 1 - o único voto contrário foi do senador José Serra (PSDB-SP).

Nas redes sociais e em rodas de discussão política, muita gente se pergunta: se a esquerda era contra, por que votou a favor?

"Criticamos a PEC porque ela é de emergência eleitoral, isso sim. Se tivessem preocupação com o povo, já teriam tomado medidas antes", explica a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann. "Mas é difícil votar contra os benefícios quando o povo está sofrendo."

Gleisi diz continuar a considerar "um horror" a proposta, mas que diante da crise qualquer coisa ajuda. "Para quem está sem dinheiro, R$ 200 a mais de auxílio já é alguma coisa, mas do ponto de vista estrutural não resolve, não é sustentável", diz a deputada.

Também o presidente do PDT, Carlos Lupi, critica o fato de a medida ter sido adotada a poucos meses da eleição. "É uma questão de oportunismo eleitoral. Por que só agora?", questiona.

Para Lupi, não havia como votar contra a PEC. "Não votamos contra porque a proposta atende aos mais necessitados. Nossa oposição é a Bolsonaro, não aos pobres", diz ele.

A PEC agora volta para a Câmara dos Deputados, onde deverá ser aprovada sem problemas, já que o governo tem ampla maioria na Casa.