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Moro sinaliza a aliados que deve ir à CPMI das Fake News

Sergio Moro faz pronunciamento, acusa Bolsonaro e se demite - Sérgio Lima/Poder 360
Sergio Moro faz pronunciamento, acusa Bolsonaro e se demite Imagem: Sérgio Lima/Poder 360
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

30/04/2020 04h00Atualizada em 30/04/2020 09h54

Aliados próximos a Sergio Moro disseram ao UOL que o ex-ministro de Jair Bolsonaro (sem partido) está disposto a depor na CPMI que investiga a propagação de fake news no Congresso Nacional.

A expectativa pela confirmação é grande dentro do grupo. Moro deverá não só encarar as críticas de parlamentares fiéis ao presidente, como também de integrantes da oposição e do próprio presidente da CPMI, o senador Angelo Coronel (PSD-BA).

Ontem, o presidente da comissão disse ao UOL que Moro prevaricou ao não denunciar o presidente. O ex-ministro contou que Bolsonaro pediu para ter acesso a inquéritos sigilosos que correm na PF (Polícia Federal).

"A partir do momento em que Moro diz que o presidente pedia informações de inquéritos sigilosos, mas ele não fornecia essas informações, mas não denunciou o presidente, ele cometeu o crime de prevaricação", afirmou.

O senador disse que Moro deverá ser convocado assim que a CPMI voltar a funcionar — a comissão foi suspensa por conta do novo coronavírus.

Segundo ele, a medida se justifica porque o ex-ministro declarou não ter assinado a exoneração de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF, publicado em Diário Oficial. Isto, para o senador, se caracterizaria uma fake news.

"O argumento para convocação do ministro está em cima da assinatura que ele não deu", argumentou.

A comissão quer aproveitar para perguntar a Moro se ele tem mais mensagens gravadas com Bolsonaro e para tentar comprovar se ele tem razão no que acusou o presidente.

O ex-ministro da Justiça também afirmou que Bolsonaro decidiu trocar a direção-geral da PF porque gostaria de ter acesso a informações de inquéritos sobre a família dele.

Procurado através de assessores, Moro não quis responder aos ataques do senador Angelo Coronel, mas também não afirmou que deixará de comparecer à CPMI por conta disso.

Depois da coletiva polêmica de sua exoneração, na semana passada, o ex-ministro optou por se preservar nos últimos dias. Ele evitou fazer comentários sobre a indicação do novo diretor da PF e das indiretas do presidente durante a posse de seu substituto, o ex- advogado-geral da União, André Mendonça.

Bolsonaro chegou a dizer que nenhum presidente conseguiu fazer o time dos seus sonhos e que seus integrantes "também se cansam".

O ex-ministro também deve falar no inquérito aberto pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que trata de suas denúncias. O pedido de investigação foi feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.