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Diogo Schelp


Estudo americano tem mais mortes em pacientes que usaram hidroxicloroquina

Hidroxicloroquina - John Phillips/Getty Images
Hidroxicloroquina Imagem: John Phillips/Getty Images
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

21/04/2020 14h12

Um estudo feito nos Estados Unidos e divulgado nesta terça-feira (21) não encontrou evidência de eficácia do uso de hidroxicloroquina, ministrada ou não em conjunto com azitromicina, no tratamento de pacientes com covid-19. A hidroxicloroquina e um composto similar, a cloroquina, foram citados diversas vezes pelo presidente Jair Bolsonaro como drogas promissoras para enfrentar a pandemia do novo coronavírus, a ponto de o governo ter enviado milhões de amostras para serem ministradas a pacientes em estado grave internados na rede pública de saúde.

Nos Estados Unidos, a FDA (Administração de Comidas e Remédios, na sigla em inglês, órgão regulatório que equivale à Anvisa brasileira) também autorizou o uso do remédio no tratamento experimental da covid-19.

O estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Virgínia fez uma análise retrospectiva da evolução da doença em 368 pacientes infectados com o novo coronavírus na rede de 170 clínicas da Veterans Health Administration, que atende veteranos de guerra em todo o país.

Entre aqueles que foram medicados com hidroxicloroquina, 27,8% morreram. Entre os que tomara hidroxicloroquina junto com azitromicina (um antibiótico), 22,1% vieram a óbito. Entre os que não receberam o tratamento, a proporção de mortes foi menor: 11,4%.

Após se levar em conta fatores demográficos, de comorbidade e clínicos dos pacientes, concluiu-se que, em comparação com o grupo que não recebeu nenhum dos remédios, o risco de morte era mais alto entre aqueles que tomaram apenas hidroxicloroquina, mas não entre os que foram medicados com a combinação hidroxicloroquina e azitromicina. Por outro lado, o risco de o paciente ser colocado em um respirador (indício de agravamento do quadro clínico) era similar entre os grupos que foram medicados só com hidroxicloroquina e com ambos os remédios, comparado com o grupo dos pacientes que não tomou nenhum dos dois.

Na conclusão do artigo científico, que foi publicado em uma plataforma preprint (antes da revisão dos pares), afirma-se que não se encontrou "evidência de que o uso de hidroxicloroquina, seja com ou sem azitromicina, reduziu o risco de ventilação mecânica em pacientes internados com covid-19. Uma associação de aumento de mortalidade geral foi identificada em pacientes tratados apenas com hidroxicloroquina". Os autores afirmam que os resultados reforçam a importância de aguardar os resultados de ensaios clínicos prospectivos e randomizados antes da adoção em massa dos medicamentos no tratamento de covid-19.

Diogo Schelp