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Diogo Schelp


Governo do Brasil tem postura anticiência, diz pesquisador à revista Nature

                                 O físico Luiz Davidovich é o presidente da Academia Brasileira de Ciências                              -                                 REPRODUÇÃO
O físico Luiz Davidovich é o presidente da Academia Brasileira de Ciências Imagem: REPRODUÇÃO
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

22/05/2020 16h28

Em entrevista publicada nesta sexta-feira (22) no site da revista Nature, uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo, o físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, critica postura anticiência do governo e de parte da sociedade brasileira.

A entrevista, que reforça a péssima imagem que o Brasil está conquistando no exterior no que se refere ao enfrentamento da covid-19, foi publicada sob o título: '''Medicamentos deveriam ser prescritos por médicos, não pelo presidente': um dos principais cientistas do Brasil discute a pandemia".

"Os pesquisadores brasileiros enfrentam uma batalha. O país tem o terceiro maior número de casos confirmados de covid-19, com mais de 300.000 infectados e 20.000 mortos. Os cientistas lá têm que lutar não apenas contra o coronavírus, mas também contra a postura anticiência do governo" — assim começa a introdução à entrevista.

Davidovich conta que pesquisadores de Manaus que não encontraram evidências de que a cloroquina ou a hidroxicloroquina sejam eficazes no tratamento da doença receberam ameaças de morte. Esses medicamentos, de uso comum para pacientes com malária, lúpus e artrite, estão sendo promovidos pelo governo federal como uma opção para tratar covid-19, apesar das evidências de que os prejuízos de seu uso podem superar os benefícios.

"As pessoas dizem que ciência é muito importante neste momento — mas, por outro lado, algumas pensam que a Terra é plana, que o ser humano não tem impacto sobre o clima e que a seleção natural não existe", disse Davidovich à Nature.

Davidovich pondera também que, por sorte, os governos estaduais estão bastante empenhados em trabalhar junto com a comunidade científica para encontrar soluções no combate à pandemia.

Recentemente, The Lancet, uma das principais publicações científicas da área médica, apontou o presidente Jair Bolsonaro como a maior ameaça ao combate à covid-10 no país. Agora a Nature coloca mais lenha nessa fogueira.

Diogo Schelp