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Diogo Schelp


Diogo Schelp

Bolsonaro se rende ao papel da imprensa ao desautorizar equipe econômica

Bolsonaro nega cortar benefício de idoso carente - Reprodução/Facebook
Bolsonaro nega cortar benefício de idoso carente Imagem: Reprodução/Facebook
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

15/09/2020 11h52

O presidente Jair Bolsonaro deixou claro, em vídeo divulgado em sua conta no Twitter, que foi através da imprensa que ficou sabendo dos planos de sua equipe econômica de congelar pensões para financiar o Renda Brasil, programa assistencial que seria um substituto turbinado do Bolsa Família.

"Quem, por ventura, vier a me propor uma medida como essa, eu só posso apresentar o cartão vermelho", disse o presidente.

No vídeo, Bolsonaro mostra folhas com manchetes de jornal com gestos bruscos e evidente irritação e, no final, proíbe falar em Renda Brasil no seu governo até o fim do mandato.

As informações de que técnicos do governo estavam estudando a possibilidade de congelar aposentadorias e outras maneiras de economizar 10 bilhões de reais em benefícios para idosos e deficientes foram reveladas em reportagens do G1 e da Folha de S.Paulo.

Essa é uma das funções da imprensa: trazer ao debate público tudo aquilo que está sendo discutido nos bastidores do poder com impacto na vida das pessoas.

Se a imprensa se restringisse a fazer o que Bolsonaro tantas vezes exigiu, ou seja, apenas replicar notas e declarações oficias e papagaiar notícias "positivas", os diferentes grupos da sociedade não teriam condições de participar integralmente das discussões sobre as políticas públicas e de se opor a projetos que consideram danosos antes que se tornem realidade.

No atual episódio, que levou a equipe econômica a ser ameaçada com "cartão vermelho", até o presidente usufruiu do benefício de estar bem informado pela imprensa sobre o que acontece e é discutido dentro do seu próprio governo.

Bolsonaro já havia descartado o plano anterior de Paulo Guedes, ministro da Economia, para financiar o Renda Brasil. Dessa vez, graças à imprensa, não precisou esperar que lhe apresentassem uma nova proposta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Diogo Schelp