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Diogo Schelp

Bolsonaristas esperam ter próprio partido registrado até abril de 2021

                                 Presidente da República Jair Bolsonaro                              -                                 MARCOS CORRêA/DIVULGAçãO
Presidente da República Jair Bolsonaro Imagem: MARCOS CORRêA/DIVULGAçãO
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

18/11/2020 14h09

A ausência de um partido capaz de centralizar o voto de bolsonaristas atrapalhou os planos eleitorais de candidatos identificados com o grupo político de Jair Bolsonaro nas eleições deste ano. Essa é a avaliação de parlamentares e políticos leais ao presidente.

Esse papel aglutinador deveria ter sido desempenhado pelo Aliança pelo Brasil, legenda que começou a ser criada no ano passado, depois que Bolsonaro deixou o PSL, pelo qual foi eleito, mas que não conseguiu registrar apoiadores suficientes a tempo para participar dos pleitos municipais.

A expectativa, agora, é completar a coleta de fichas de apoiadores em janeiro e obter o registro na Justiça Eleitoral até, no máximo, abril de 2021, segundo afirmou à coluna uma das principais lideranças do Aliança pelo Brasil.

O dirigente bolsonarista diz que nunca se cogitou a possibilidade de ter o partido pronto a tempo de disputar as eleições deste ano. Mas admite que não ter uma legenda própria atrapalhou o movimento político do presidente Bolsonaro, pois isso levou a uma dispersão dos candidatos de perfil conservador em outros partidos.

"Por outro lado, essa lacuna aumentou a visibilidade quanto à necessidade de ter um partido que abrigue os votos conservadores", diz o dirigente bolsonarista. Segundo ele, desde domingo houve um aumento de interessados em apoiar a abertura do Aliança pelo Brasil.

Sobre a possibilidade de Bolsonaro escolher se filiar a uma sigla já existente, possivelmente do centrão, o dirigente afirma: "Não que eu saiba. O que ele vai fazer, não sei dizer." E garante que a ordem é continuar com a criação do Aliança pelo Brasil.

A insatisfação quanto à ausência de um partido capaz de aglutinar as candidaturas bolsonaristas foi manifestada, nos bastidores, principalmente por parlamentares que viram seus aliados políticos tendo um desempenho abaixo do esperado nas votações para prefeituras e câmaras de vereadores.

A avaliação é de que os votos bolsonaristas acabaram se dispersando entre vários partidos de direita ou centro-direita, contribuindo para o crescimento do DEM e de partidos do centrão, como o PP, o PSD e o PL. O PSL, que está rachado entre bolsonaristas e políticos conservadores que romperam com o presidente, também conseguiu eleger um número maior de prefeitos do que há quatro anos.

O presidente Jair Bolsonaro, o maior interessado em resguardar sua base eleitoral e evitar sua dispersão, no entanto, não tem dado mostras de estar preocupado com isso. Como ocorre com muitos líderes populistas, ele considera que sua força está acima de agremiações políticas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL