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Diogo Schelp

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Associação Médica publica diretriz contra hidroxicloroquina em casos leves

Hidroxicloroquina é contraindicada também para pacientes com sintomas leves de covid-19 - Reprodução
Hidroxicloroquina é contraindicada também para pacientes com sintomas leves de covid-19 Imagem: Reprodução
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

23/06/2021 11h36

A Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou nesta quarta-feira (23) uma diretriz contraindicando a hidroxicloroquina na profilaxia e no tratamento de pacientes com quadro de covid-19 leve —o que significa que o medicamento não deve ser usado para tentar evitar a contaminação ou mesmo nos estágios iniciais da doença.

A recomendação da AMB é baseada em uma revisão sistemática de estudos internacionais feitos para testar a eficácia da hidroxicloroquina em situações popularizadas como "tratamento precoce" ou "tratamento inicial" contra a covid-19. O documento com a revisão dos estudos —coordenada por Wanderley Marques Bernardo, com a autoria dos pesquisadores Alexandre Naime, Hélio Bacha e Suzanna Tanni— está disponível no site da AMB.

A diretriz tem como objetivo combinar informações científicas para padronizar as condutas médicas, auxiliando o raciocínio e a tomada de decisões dos profissionais na linha de frente do combate à doença causada pelo novo coronavírus.

"Esse documento é útil para, de maneira tranquila e científica, pacificar esse assunto da hidroxicloroquina, sem interferir na autonomia médica", diz o coordenador do projeto de Diretrizes Médicas da AMB, Wanderley Marques Barbosa.

O projeto começou pela identificação de 1.376 estudos, que foram depurados para atender aos critérios de qualidade necessários. Por exemplo, os estudos a serem analisados precisavam seguir os padrões de ensaios clínicos randomizados, com duplo cego e grupo placebo, além de ter desfechos clínicos bem definidos, com dados de hospitalização ou óbito. Do total, nove trabalhos atenderam aos requisitos de qualidade.

A análise desses estudos demonstrou que o uso profilático da hidroxicloroquina não reduz a incidência de covid-19, nem a hospitalização, os eventos adversos graves ou o óbito dos pacientes. Ao contrário, o uso preventivo do medicamento "aumenta o risco de eventos adversos em 12%".

Os estudos também não indicaram benefícios do uso de hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves de covid-19 para reduzir hospitalizações, eventos adversos e óbitos.

O documento divulgado pela AMB conclui afirmando categoricamente: "Não é recomendado o uso de HCQ na profilaxia ou no tratamento de pacientes com quadro de covid-19 leve."

Uma comissão formada pelo Ministério da Saúde já recomendou, em maio, com meses de atraso em relação a entidades internacionais e autoridades sanitárias de outros países, que a hidroxicloroquina não deve ser prescrita para pacientes hospitalizados com covid-19. A tendência é que essa comissão faça a mesma contraindicação para pacientes leves ou em estágio inicial, na linha do que conclui a diretriz divulgada pela AMB.

A Associação Médica Brasileira é uma sociedade sem fins lucrativos criada há 70 anos com a missão de "defender a dignidade profissional do médico e a assistência de qualidade à saúde da população brasileira" e desde 2000 divulga diretrizes baseadas em evidências científicas para auxiliar os médicos nas decisões de diagnósticos e tratamentos.