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Felipe Moura Brasil

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro lê manual petista para prisão de aliado

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Felipe Moura Brasil

Felipe Moura Brasil é âncora da BandNews FM e colunista do UOL. Vencedor do Prêmio Comunique-se na categoria Jornalista Influenciador Digital. Maior influenciador político do Brasil no Twitter, de acordo com estudo da empresa de big data Stilingue. Trabalhou nas revistas Veja e Crusoé, no site O Antagonista e na rádio Jovem Pan, onde também foi diretor de Jornalismo. Reúne suas várias frentes de trabalho em www.felipemourabrasil.com.

Colunista do UOL

22/06/2022 19h18

Na Live UOL desta quarta-feira (22) comentei a mudança de discurso de Jair Bolsonaro após a prisão de Milton Ribeiro.

Há três meses, quando as suspeitas vieram à tona, o presidente defendeu o então ministro da Educação, dizendo que colocaria a "cara no fogo" por ele. Hoje, ajustando o discurso conforme a conveniência para tentar se descolar do escândalo, declarou que é o ex-ministro quem deve responder por possíveis irregularidades à frente do MEC: "que ele responda pelos atos dele".

A tentativa mostra que Jair Bolsonaro leu o "manual petista para o caso de prisão de aliado", já que começou a colocar em prática várias etapas dos expedientes retóricos do PT, que nos acostumamos a ver anos atrás, em razão da prisão de diversos membros do partido:

1) Vangloriar-se das supostas iniciativas tomadas pelo próprio governo (Bolsonaro, sem saber de detalhes, tentou atribuir à CGU o mérito da imprensa, que revelou o gabinete paralelo do ministério e a intermediação feita por pastores de verbas federais para prefeituras em troca de vantagens indevidas);

2) Vangloriar-se, também, da alegada independência da Polícia Federal (que, neste caso, depois de mais de vinte trocas de delegados que atingiram interesses do bolsonarismo, teve de correr atrás das denúncias feitas por jornalistas, em razão da pressão decorrente delas e de seus detalhes sórdidos, que misturam exploração da fé, propina e uma pasta sensível para os brasileiros);

3) Dizer-se traído (o que, segundo bastidores, está sendo cogitado pelo presidente para contenção de danos à sua imagem);

4) Afirmar que o alvo da operação agiu sozinho e o que aconteceu foi um caso isolado (Bolsonaro, muito embora responsabilizado em áudio do ministro pelo aval para o recebimento dos pastores no MEC, já afirmou que Ribeiro tinha reuniões "informais" com "gente dele");

5) Atacar o juiz do caso, acusando perseguição pessoal e interferência eleitoral (o que começou a ser feito pela claque bolsonarista nas redes sociais contra Renato Borelli, da 15ª Vara Federal de Brasília, só porque tinha tomado decisão anterior para que o presidente usasse máscaras em eventos públicos na pandemia, sendo que tomara decisões mais duras contra o deputado petista João Paulo Cunha e o ex-deputado temerista Rodrigo Rocha Loures).

O bolsopetismo está no ar, só não vê quem não quer.

Assista à íntegra da Live UOL de hoje, na qual falamos também sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, que afirmou hoje que o Brasil está atrasado no processo de adesão à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Com Madeleine Lacsko , debato os principais assuntos do país diariamente, das 17h às 18h, com transmissão ao vivo nos perfis do UOL no YouTube, no Facebook e no Twitter.