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Felipe Moura Brasil

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro só quer tornar hediondo crime incomum entre políticos

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Felipe Moura Brasil

Felipe Moura Brasil é âncora da BandNews FM e colunista do UOL. Vencedor do Prêmio Comunique-se na categoria Jornalista Influenciador Digital. Maior influenciador político do Brasil no Twitter, de acordo com estudo da empresa de big data Stilingue. Trabalhou nas revistas Veja e Crusoé, no site O Antagonista e na rádio Jovem Pan, onde também foi diretor de Jornalismo. Reúne suas várias frentes de trabalho em www.felipemourabrasil.com.

Colunista do UOL

05/08/2022 19h14

A ideia de Jair Bolsonaro (PL) de classificar o roubo de celular como crime hediondo foi um dos assuntos da Live UOL desta sexta-feira (05).

"Tem que arranjar uma maneira de criminalizar como hediondo esse tipo de roubo. Qualquer pessoa está com o celular na rua, mas pegam aí uma pessoa desprevenida, uma idosa, um jovem... O elemento ao roubar o celular atira, mata, imagina perder parente, amigo, filho dessa forma", afirmou o presidente, em sua transmissão semanal, omitindo que, no Brasil, casos de latrocínio (roubos seguidos de morte) já são enquadrados como hediondos.

Sem citar seu principal adversário, Bolsonaro escolhe, entre todos os crimes, um que já foi minimizado por Lula (PT), como detalhei no artigo "Lula passa pano para ladrões de celular?", publicada aqui no UOL.

Com a bravata, Bolsonaro destaca um crime incomum entre políticos, que não precisam roubar celular, enquanto se faz de sonso sobre outros delitos, como o roubo de dinheiro do orçamento secreto, de salários de assessores, de cota parlamentar, de verbas de gabinete, além do superfaturamento em contratos públicos e propinas em troca de favorecimentos. Uma lista que, em seu governo, segue o caminho oposto: o do afrouxamento da legislação e da impunidade.

André Mendonça, o segundo ministro indicado pelo presidente, ainda votou a favor da retroatividade das alterações que afrouxaram a Lei de Improbidade Administrativa e que já vinham sendo usadas pela Advocacia-Geral da União, como mostrei no artigo "O sistema só cuida de si", para defender o próprio Bolsonaro no caso de Wal do Açaí, a caseira que ele colocou por 15 anos na conta do povo brasileiro.

Haja hipocrisia.

Na Live UOL, falamos também sobre o discurso sem propostas de Lula e a afirmação dele de que a eleição não está ganha; sobre o medo do presidente de ser preso quando deixar o governo; e sobre a escolha da vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, como vice de Ciro Gomes (PDT).

Com Madeleine Lacsko, debato os principais assuntos do país diariamente, das 17h às 18h, com transmissão ao vivo nos perfis do UOL no YouTube, no Facebook e no Twitter.