PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

OMS sobre vacina: "Montamos o acampamento. Agora temos de subir o Everest"

Dado Ruvic/Reuters
Imagem: Dado Ruvic/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

02/12/2020 12h49

A autorização do Reino Unido anunciada nesta quarta-feira para começar a vacinação contra a covid-19 foi comemorada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Mas a agência insiste que o processo só está no começo e que uma operação das mais complexas está ainda por ser realizada. "Montamos o acampamento na base da montanha. Agora, precisamos subir o Everest", disse Mike Ryan, diretor de operações da agência.

"Estamos quase lá. Mas não chegamos ainda e teremos de ser pacientes", disse. "Vidas vão ser perdidas se deixarmos de fazer distanciamento e outras medidas de controle. Não podemos prometer salvar vidas no ano que vem. Temos de salvar vidas hoje", insistiu.

Para a OMS, países não podem contar com a vacina para reduzir o número de casos nos próximos seis meses. Para isso, governos terão de manter suas restrições e orientações. "Se isso não for feito, veremos mais ondas de transmissão", alertou Ryan.

Ele acredita que, ainda que a vacina esteja começando a ser aprovada, haverá uma campanha ampla apenas em três ou seis meses. "Precisamos entender que, até lá, as medidas para frear o vírus terão de continuar", disse.

Uma vez aprovada, o grande desafio será o da distribuição e chegar aos locais mais distantes e pobres. Segundo ele, a história mostra que apenas a existência de uma vacina não é suficiente para acabar com uma doença. "Veja a poliomielite. Temos a vacina há 30 anos e o mundo investiu bilhões e ainda temos a doença", alertou. "Uma coisa é ter a vacina. Outra é a vacinação", insistiu.

"Temos as soluções. Mas o desafio vai ser como implementar", disse. Para ele, campanhas não poderão envolver apenas médicos. Mas as comunidades, sociedade civil e ONGs. "Todos terão de estar envolvidos", afirmou.

OMS alerta para desafio em convencer jovens adultos a se vacinarem

Ryan estima que um "número enorme de pessoas terá de ser vacinada" para permitir que o virus pare de circular. "Corremos o risco de ver o virus circular por muito tempo ainda. Acreditamos que vamos ter uma boa adesão dos mais idosos, que sabem o preço a pagar. Mas poderemos ter dificuldades para convencer os demais (adultos)", disse.

A OMS apelou para que cada pessoa considere que a vacinação não é apenas uma questão individual e que, se aderir ao processo, ajudará o mundo a frear o vírus. "Tome uma decisão pensando não apenas em você", pediu.

"Precisaremos vacinar muita gente para garantir a contenção", admitiu. "Esse vai ser o desafio", disse.

Para o diretor da OMS, cientistas não podem pensar que o trabalho está concluído. A comunidade internacional precisa focar em garantir uma maior produção de vacinas, inovações para que haja uma só dose e preços mais baixos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL