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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Spray israelense defendido por Bolsonaro precisa de teste, diz seu inventor

28.dez.2018 - Jair Bolsonaro se reúne com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, no Rio de Janeiro - Fernando FRAZAO / AGENCIA BRASIL / AFP
28.dez.2018 - Jair Bolsonaro se reúne com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, no Rio de Janeiro Imagem: Fernando FRAZAO / AGENCIA BRASIL / AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

17/02/2021 12h22

O spray nasal que se transformou em uma nova aposta do presidente Jair Bolsonaro contra a covid-19 ainda precisa passar por novos testes para garantir que o produto é eficiente e seguro. Quem faz a declaração é Nadir Arber, do Hospital Ichilov de Israel e o responsável pelo desenvolvimento do tratamento, conhecido como EXO-CD24.

O produto tem despertado a esperança dos cientistas que o desenvolveram e passou a ser promovido pelo governo israelense, em relações com outros países.

Depois de uma conversa com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Bolsonaro passou também a defender o produto. Ele disse que vai pedir autorização para o uso emergencial do spray nasal contra a covid-19. "EXO-CD24 é um spray nasal desenvolvido pelo Centro Médico Ichilov de Israel, com uma eficácia próxima de 100% (29/30), em casos graves, contra a Covid", tuitou Bolsonaro.

Ele ainda indicou que enviaria uma comitiva para negociar a compra do produto, ainda que o medicamento não esteja sendo recomendado pela OMS.

Arber, numa coletiva de imprensa nesta quarta-feira, deixou claro que a inovação está apenas em seus primeiros dias de testes. "Não se pode dizer que o tratamento é efetivo com base em apenas em 35 pacientes", disse. "Mas há esperanças", confirmou.

Por enquanto, o spray completou apenas na Fase 1 de testes e o produto foi aplicado em 35 pessoas. "Para ser eficiente, ele precisa ser comparado com placebo", insistiu Arber. Para o próprio inventor, o produto precisa ser confirmado por testes clínicos, em Fase 2 e Fase 3.

Primeiros resultados positivos

Ainda assim, o que o pesquisador declarou foi que os resultados iniciais trouxeram esperança de que o produto seja uma opção real. Dos pacientes que receberam o tratamento, todos tinham desenvolvido a covid-19 em condições severas. O resultado foi uma "melhoria substancial" em praticamente todos eles, assim como melhoria da taxa respiratória e outros indicadores.

Questionado pela coluna sobre a relação com o Brasil e a proposta de aprovação de uso emergencial, Arber destacou a conversa entre Netanyahu e Bolsonaro. Segundo ele, uma eventual aprovação pode ser facilitada com o envolvimento de governos. "Se tivermos isso, podemos fornecer ao mundo em questão de alguns meses", disse.

"Mas ao mesmo tempo precisamos ser extremamente conservadores para garantir que a segurança seja central", alertou. Arber fez referências a Bolsonaro sobre o fato de que, num momento de guerra, algumas das regras podem ser flexibilizadas e destacou como o envolvimento de governos pode ajuda a superar a questão regulatória. "Estamos prontos para compartilhar (o produto)", disse.

Sua previsão é de que, se o processo caminhar de forma satisfatória, existiria a possibilidade de que o produto possa ser compartilhado ainda em 2021. "Nós desenvolvemos o produto. Agora, vamos nos aproximar da especialistas farmacêuticos para passar do desenvolvimento para a produção", disse.

Arber ainda defendeu o produto, apontando que ele é "eficiente, fácil de produzir e com custo baixo". Ele também garante que, a partir dos primeiros testes, não houve efeito colateral.