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Jamil Chade

NOTÍCIA

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com Bolsonaro "nu", ONG lança campanha contra desinformação do governo

Repórteres sem fronteiras lançam campanha mundial contra presidente Jair Bolsonaro - Repórteres sem fronteiras
Repórteres sem fronteiras lançam campanha mundial contra presidente Jair Bolsonaro Imagem: Repórteres sem fronteiras
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

22/02/2021 05h59

A ONG Repórteres Sem Fronteira criticou a estratégia do governo de Jair Bolsonaro de "disseminar desinformação sobre a pandemia" do novo coronavírus e lançou, nesta segunda-feira, uma campanha pela defesa do direito à informação confiável no Brasil.

A ação traz uma fotomontagem de Bolsonaro sem roupa, coberto apenas por uma placa que informa o número de mortes causadas pela covid-19 e o número de casos confirmados da doença no país. No Brasil, já são mais de 246 mil óbitos por conta do vírus, além de 10,1 milhões de contaminações.

"A verdade nua", nome da iniciativa da agência BETC Paris, destaca a "importância crucial do jornalismo para garantir o acesso a informações confiáveis sobre a pandemia".

"Enquanto a covid-19 provoca estragos no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro contribui para aumentar o número de mentiras em circulação e segue atacando a imprensa - numa tentativa de esconder sua incapacidade de administrar a crise sanitária", diz.

"A nova campanha da RSF no Brasil defende que se mostre "a verdade nua", a crua realidade dos fatos, para além de alegações fantasiosas ou manipuladoras", argumenta.

A ONG aponta que optou pela fotomontagem como forma simbólica de confrontar o presidente com a "realidade nua e crua dos fatos, enquanto ele acusa a imprensa pelo caos instalado no país para desviar a atenção de sua desastrosa gestão da crise sanitária".

O Brasil é hoje o terceiro país mais afetado no planeta pela pandemia. A campanha, portanto, reforça a importância de conhecer os fatos para compreender a pandemia e poder agir sobre ela.

"Essa campanha propositalmente chocante visa despertar as consciências a reagirem aos ataques permanentes do sistema Bolsonaro contra a imprensa, afirmou Christophe Deloire, Secretário-Geral da RSF.

"Os ataques não são apenas moralmente intoleráveis, mas também perigosos para a população brasileira que se vê privada de informações vitais sobre a pandemia. O trabalho dos jornalistas é fundamental para relatar os fatos e informar as pessoas sobre a realidade da crise sanitária. Mais do que nunca, o direito à informação, intimamente ligado ao direito à saúde, deve ser defendido no Brasil", analisa Deloire.

ONU soa alerta contra a desinformação na pandemia

No mesmo dia em que Bolsonaro é alvo de uma campanha, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, usou seu discurso de abertura no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para fazer um alerta sobre líderes que disseminam desinformação na pandemia.

"O acesso à informação que salva vidas foi ocultado - enquanto que a desinformação mortal foi amplificada - inclusive por aqueles no poder", alertou Guterres. Ele não citou nomes. Mas, nos bastidores, diplomatas admitiram que a situação no Brasil era uma das referências preocupantes.

Para a RSF, o trabalho da imprensa brasileira tornou-se particularmente complexo desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder em 2018. "Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente do país", diz a ONG.

"Sempre que informações contrárias aos seus interesses ou aos de sua administração se tornam públicas, ele não hesita em atacá-los com violência. No final de janeiro, por exemplo, Jair Bolsonaro mandou os jornalistas para " a puta que o pariu " e afirmou que a lata de leite condensado era para " enfiar no rabo [...] da imprensa", lembrou.

"Essa declaração delirante faz parte de uma estratégia bem azeitada de ataques contra a imprensa coordenados pelo presidente e seus familiares que ocupam cargos eletivos, conforme apresentado pelo relatório da RSF que lista nada menos que 580 ataques apenas em 2020", completa a ONG.