PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Estagnado, Brasil não segue ritmo de queda de casos de covid-19 no mundo

Covas sendo abertas em cemitério de Manaus, em 31 de dezembro de 2020; Brasil registrou quase 195 mil mortes por covid-19 no ano passado - Reuters
Covas sendo abertas em cemitério de Manaus, em 31 de dezembro de 2020; Brasil registrou quase 195 mil mortes por covid-19 no ano passado Imagem: Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

24/02/2021 04h09

Os números de novos casos da covid-19 e de mortes pela doença sofreram pelo mundo uma queda importante na última semana, numa tendência que já tinha sido registrada desde janeiro. Mas os dados para o Brasil revelam que o país não tem conseguido acompanhar o mesmo ritmo, com uma variação apenas marginal no número de mortes e novos casos.

As informações são da Organização Mundial da Saúde (OMS), que publicou seu informe epidemiológico semana e aponta para 2,4 milhões de novos casos no mundo nos últimos sete dias. O número é 11% inferior à semana anterior e metade do que chegou a ser registrado no final de 2020.

A maior queda, porém, está no número de mortes, com 66 mil novos óbitos no mundo na semana. O total é 20% abaixo do que foi registrado na semana anterior. No total, o mundo acumula 110 milhões de casos e 2,4 milhões de mortes, números que são considerados ainda como extremamente elevados pela OMS.

Para a entidade, ainda que a vacina tenha dado resultados em alguns locais, é ainda cedo para dar total crédito à imunização pelos resultados. Na avaliação da OMS, a queda é, acima de tudo, resultado de medidas de confinamento adotadas nos últimos meses. Nesta semana, porém, o chanceler Ernesto Araújo criticou na ONU o conceito de lockdown e a ideia de que sociedades abram mão de suas liberdades, em nome da saúde.

Pela contagem da agência, o Brasil é o segundo maior atingido no mundo no período que inclui a semana passada, com 316 mil novos casos.

Enquanto houve uma queda de 29% no número de novos casos nos EUA, 11% de queda na Rússia, 22% no México e 10% na Índia, o Brasil registrou uma contração de apenas 1% na taxa em comparação à semana passada. Naquele momento, o país tinha registrado um aumento no número de novos casos. Nas Américas, a queda de casos foi de 19% e 23% em mortes.

No que se refere ao número de novas mortes, o Brasil somou 7,2 mil novos óbitos e mais de 10% de todos os mortos no mundo. Nesse caso, o país tampouco consegue acompanhar a queda mundial. A redução no Brasil foi de apenas 2% na semana, em comparação aos sete dias anteriores. Em meados de janeiro de 2021, foram cerca de 6,7 mil vítimas fatais no Brasil por semana. No final do mês, a taxa tinha atingido 6,9 mil.

Em alguns dos outros epicentros da doença no mundo, a queda na taxa de mortes é expressiva. Nos EUA, a redução na semana foi de 31%, contra 22% no México, 28% no Reino Unido Unido ou 16% na Alemanha.

No final da semana passada, o chefe de operações da OMS, Mike Ryan, havia comentado a situação brasileira e indicado que o destino da pandemia no Brasil seria relevante para o mundo.

"O Brasil é uma região muito importante do mundo. O que o Brasil faz importa", disse. Segundo ele, o país liderou as Américas em situações anteriores de crise sanitária, surtos e tem história científica "orgulhosa". "Portanto, o que ocorre no Brasil importa. À média que se controle o vírus (no Brasil), isso será um raio de esperança para as Américas e para o resto do mundo", completou.

A OMS também atualizou a situação das novas variantes do vírus, indicando que a mutação encontrada no Brasil, chamada de P.1, já está presente em 28 países, oito a mais que na semana passada.

No caso brasileiro, em específico, a agência aponta que o vírus já é predominante em Manaus.

De acordo com a OMS, um estudo realizado entre 1 de novembro de 2020 e 13 de janeiro de 2021 revelou como havia uma aceleração da presença da variante em diferentes cidades no Amazonas. Em Manaus, 91% dos casos registrados já são da mutação P1. A OMS ainda conclui: "a variante foi distribuída em uma área geográfica ampla no estado (do Amazonas)".