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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Aumento de mortes coloca Brasil na contramão da pandemia no mundo

Enterro de vítima da covid-19 no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus (AM), em 28 de outubro - Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo
Enterro de vítima da covid-19 no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus (AM), em 28 de outubro Imagem: Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

02/03/2021 17h10

Resumo da notícia

  • Mortes no Brasil sofrem salto de 11%; taxa recua 6% no mundo
  • País já representa 12% de todos os óbitos na semana no mundo
  • Com aumento de 18% em novos infectados, Brasil vê expansão mais acelerada da pandemia que no restante do mundo

A expansão das mortes pela covid-19 no Brasil é uma das maiores entre os países mais afetados pela doença. As informações são da Organização Mundial da Saúde (OMS), que publicou nesta terça-feira seu informe epidemiológico semanal e alerta que mais de 12% dos óbitos no mundo estão ocorrendo no Brasil.

Depois de seis semanas de quedas, o período avaliado entre 21 e 28 de fevereiro representou uma mudança na curva, com um aumento de novos casos de contaminações no mundo. No total, 2,6 milhões de novas infecções foram registradas, com 63 mil novos óbitos.

Os números representam um aumento de 7% em novos casos, mas uma queda de 6% em mortes, em comparação ao período de sete dias anteriores. No total, o mundo acumula 113 milhões de infectados e 2,5 milhões de mortes desde o início da pandemia, em janeiro de 2020.

Para a OMS, ainda que a vacina tenha dado resultados em alguns locais, é ainda cedo para dar crédito à imunização por qualquer tipo de mudança na tendência do vírus. Na avaliação da entidade, a volta do aumento no surto na última semana é, acima de tudo, resultado de um relaxamento por parte da população e o fim de algumas das medidas de confinamento adotadas nos últimos meses.

Na semana passada, o chanceler Ernesto Araújo criticou na ONU o conceito de lockdown e a ideia de que sociedades abram mão de suas liberdades, em nome da saúde.

Pela contagem da agência, porém, o Brasil rapidamente se aproxima dos EUA em número de novos infectados. Em dezembro, os americanos chegaram a registrar 1,6 milhão de novos casos, contra pouco mais de 310 mil no Brasil. Agora, os EUA somaram 472 mil novas infecções na semana passada, contra 373 mil no país, o segundo maior do mundo.

Se números aumentaram em várias partes do mundo, a taxa de expansão do Brasil é superior à média. O aumento no país, segundo a OMS, foi de 18% em apenas uma semana. Saltos substanciais também foram identificados na Itália (32%), Argentina (50%) e na Índia (21%). Todos esses países, porém, contam com números absolutos inferiores ao que se registra no Brasil.

Mais de 12% das mortes ocorrem no Brasil

Mas é na taxa de óbitos que os números brasileiros mais se destacam. Nos sete dias até o dia 28 de fevereiro, o Brasil somou 8.070 mortes, mais de 12% de todos os mortos no mundo. De cada quatro vítimas mortais no continente americano, uma é brasileira.

O país claramente não consegue acompanhar a queda mundial. O aumento no Brasil em uma semana foi de 11%, em comparação aos sete dias anteriores.

Em dezembro, o Brasil registrava 5,8 mil mortes por semana. Em meados de janeiro de 2021, foram cerca de 6,7 mil vítimas fatais. No final do mês, a taxa tinha atingido 6,9 mil.

A tendência brasileira vai no sentido contrário do México, com queda de 14%, da Alemanha, com queda de 24%, 12% de redução no Japão, contra um recuo de 15% na Europa, de 32% no Reino Unido, de 11% na África do Sul e de 19% no continente africano. Nos EUA, a expansão foi de apenas 1% e o país continua a liderar no ranking global, com 14 mil mortes na semana.

No final da semana passada, o chefe de operações da OMS, Mike Ryan, havia comentado a situação brasileira e indicado que o destino da pandemia no Brasil seria relevante para o mundo e classificou a crise no país de "tragédia".

A OMS também atualizou a situação das novas variantes do vírus, indicando que a mutação encontrada no Brasil, chamada de P.1, já está presente em 29 países.