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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Agência da UE confirma "possível" relação entre trombose e vacina da Oxford

Miguel Riopa/AFP - 13.mar.2021
Imagem: Miguel Riopa/AFP - 13.mar.2021
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

07/04/2021 11h29

Resumo da notícia

  • Agência de Medicamentos insiste que doses devem continuar a ser administradas, já que benefícios superam riscos

A Agência de Medicamentos da Europa admitiu hoje que a vacina da AstraZeneca/Oxford pode ter, como impacto colateral, o surgimento de coágulos sanguíneos e tromboses em pessoas beneficiadas pela vacina. Mas insiste que o imunizante deve continuar a ser administrado para todas as pessoas acima de 18 anos de idade, já que os benefícios superam os riscos da vacina, e que o efeito colateral é "muito raro".

A recomendação é de que coágulos sejam colocados como possíveis efeitos colaterais nas explicações sobre a vacina. Mas insistindo que a taxa de incidência é de apenas um a cada 100 mil pessoas.

De acordo com a agência, de cerca de 34 milhões de pessoas que foram vacinadas com as doses da empresa europeia, os técnicos avaliaram 86 casos com trombose. Desses, 18 foram fatais. No total, estima-se que 222 casos foram detectados.

De acordo com os europeus, porém, não se sabe ainda o motivo da complicação e, por isso, não se pode recomendar nenhuma medida por enquanto concreta.

Os estudos também indicaram que a maioria dos casos foi identificada em mulheres abaixo de 60 anos de idade. Mas, ainda assim, a agência aponta que não pode fazer ainda qualquer tipo de recomendação com base em gênero ou idade.

O que a chefe da agência, Emer Cook, sugere é que, nas duas primeiras semanas da vacinação, as pessoas e médicos estejam atentos a sintomas como dores no peito, dor de cabeça, perda de pele e outros efeitos.

Para os europeus, porém, o "risco de mortalidade pela covid-19 é muito maior que o risco dos efeitos colaterais".

De acordo com a Agência, a AstraZeneca terá de conduzir novos estudos. Mas os casos, ainda que ratos, mostram os "desafios de campanhas de larga escala" na vacinação. "Tais impactos colaterais não foram identificados na fase de testes clínicos", completou a entidade europeia.

No início da semana, um dos responsáveis da agência havia antecipado o anúncio em uma entrevista a um jornal italiano. A entidade, porém, o desmentiu e disse que ainda estava avaliando o caso. Agora, confirmam a mesma mensagem.

Em março, mais de dez países europeus suspenderam o uso da vacina da Oxford, diante do surgimento de casos de trombose. Mas a agência optou por manter a vacinação.

Agora, o Reino Unido indicou que, para pessoas entre 18 e 29 anos de idade, vacinas de outras empresas também serão oferecidas.

A vacina é a principal aposta do governo brasileiro. Mas as doses oferecidas no Brasil não vem das mesmas fábricas que fornecem para o mercado europeu.