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Jamil Chade

OMS: gestante só deve tomar AstraZeneca se benefício for superior ao risco

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

11/05/2021 07h06

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o uso da vacina da AstraZeneca em gestantes "somente se os benefícios da vacinação para a mulher grávida superarem os riscos potenciais".

Nesta semana, a Anvisa recomendou a suspensão do uso das vacinas da AstraZeneca em mulheres grávidas, depois que uma gestante faleceu no Rio de Janeiro, depois de receber a dose do imunizante. A agência determinou a suspensão até entender se existe alguma relação entre a vacina e o óbito.

De acordo com a OMS, não existem ainda informações suficientes para uma decisão final sobre o uso das doses em grávidas. Mas sugere que, "para ajudar as mulheres grávidas a fazer esta avaliação, elas devem receber informações sobre os riscos da covid-19 na gravidez (incluindo, por exemplo, que algumas mulheres grávidas correm maior risco de infecção, ou têm comorbidades que aumentam o risco de doenças graves), os benefícios prováveis da vacinação no contexto epidemiológico atual e as limitações atuais dos dados de segurança em mulheres grávidas".

"Estudos preliminares de toxicidade reprodutiva em ratos não demonstraram efeitos prejudiciais da vacina na gravidez", destaca.

"Embora os dados disponíveis sobre a vacinação de mulheres grávidas sejam insuficientes para avaliar a eficácia da vacina ou os riscos associados à vacina na gravidez, estão planejados estudos em mulheres grávidas nos próximos meses", explicou a entidade.

"Com base na experiência anterior com o uso de outras vacinas durante a gravidez, espera-se que a eficácia da vacina ChAdOx1-S (AstraZeneca) em mulheres grávidas seja comparável à observada para mulheres não grávidas em grupos etários semelhantes", destaca.

"É importante notar que, em comparação com mulheres não grávidas, a gravidez está associada a maiores taxas de trombose, trombocitopenia e hemorragia; entretanto, atualmente não se sabe se a gravidez está associada a um maior risco", disse.

"Conforme os dados se tornarem disponíveis, as recomendações sobre vacinação serão atualizadas de acordo", garante a instituição.

Ainda assim, a OMS "não recomenda testes de gravidez antes da vacinação". "A OMS não recomenda retardar a gravidez ou interromper a gravidez por causa da vacinação", destaca.

De acordo com a agência, "mulheres grávidas com COVID-19 têm maior risco de desenvolver doenças graves em comparação com as mulheres não grávidas em idade reprodutiva".

"A covid-19 na gravidez também tem sido associada a um risco maior de nascimento prematuro e de recém-nascidos que necessitam de cuidados intensivos neonatais. Mulheres grávidas com 35 anos de idade ou mais, ou com alto índice de massa corporal, ou uma comorbidade existente, como diabetes ou hipertensão arterial, correm um risco particular de desenvolver doenças graves com a covid-19", disse.